Comércio Exterior

Pecuaristas dos EUA aplaudem tarifaço e querem banir carne do Brasil

Associação Nacional de Pecuaristas dos Estados Unidos diz à CNN que tarifa de 50% é “um bom começo” para futura suspensão do produto brasileiro

Em meio às preocupações com as tarifas anunciadas pelos Estados Unidos, um setor aplaude com entusiasmo as iniciativas de Donald Trump. E vai além: defende a suspensão total da entrada dos produtos brasileiros nos Estados Unidos.

“A Associação Nacional de Pecuaristas dos Estados Unidos (NCBA) apoia firmemente o plano do presidente Trump de impor ao Brasil com uma tarifa de 50%”, cita a entidade à CNN.

A entidade que representa os pecuaristas americanos há mais de um século, desde 1898, informa que “há muitos anos defende a suspensão total da carne bovina brasileira importada”.

“Uma tarifa de 50% é um bom começo, mas precisamos suspender as importações de carne bovina do Brasil para que possamos conduzir uma auditoria completa”, citou a entidade.

A NCBA acusa produtores brasileiros de terem uma “abismal falta de responsabilidade em relação à saúde do gado e à segurança alimentar”.

Os pecuaristas americanos citam especificamente os casos da Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB), conhecida como doença da vaca louca.

“A falha do Brasil em reportar casos atípicos de EEB e seu histórico de febre aftosa são uma grande preocupação para os produtores de gado dos EUA”, citam os produtores americanos.

O governo brasileiro rebate a afirmação dos pecuaristas americanos.

O Ministério da Agricultura cita que o Brasil nunca teve um “caso clássico” do mal da vaca louca – aqueles em que a doença ocorre pela ingestão de alimentos contaminados, especialmente farinha de carne e ossos. Essa foi a origem do surto na Europa há algumas décadas.

No Brasil, há registro de seis casos atípicos da doença. A situação não interfere no status do país na Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA). Isso acontece porque os casos têm ocorrência espontânea, quando a infecção se dá pela mutação espontânea da proteína – normalmente pela idade avançada do animal, sem ter relação com a ingestão de alimentos contaminados.

“Assim, o Brasil mantém o reconhecimento pela OMSA como país de risco insignificante para a doença desde 2012”, cita o Ministério da Agricultura.

Fonte: CNN Brasil

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Comércio Exterior, Economia

Escalada da tensão entre Brasil e EUA eleva preocupação da indústria, diz FIESC

Setor defende o diálogo para evitar a aplicação do tarifaço — que, se for confirmado, trará consequências graves não só para o setor produtivo, mas para toda a sociedade brasileira

A escalada da tensão política entre Brasil e Estados Unidos aumentou a preocupação da indústria catarinense. O setor defende o diálogo para evitar a aplicação do tarifaço — que, se for confirmado, trará consequências graves não só para o setor produtivo, mas para toda a sociedade brasileira. O assunto foi discutido na reunião de diretoria da Federação das Indústrias (FIESC), nesta sexta-feira, dia 18.

Conforme relatos de industriais à Federação, embora ainda não estejam sendo cancelados pedidos, muitos clientes estão solicitando para que mercadorias encomendadas ainda não sejam embarcadas, até haver maior clareza sobre a situação.

“O ônus será para a sociedade. Dependemos muito dos Estados Unidos. É o destino para o qual exportamos produtos de valor agregado e que não conseguiremos redirecionar para outros mercados no curto prazo”, alertou o presidente da FIESC, Mario Cezar de Aguiar, ressaltando que os EUA são o principal destino dos embarques catarinenses.

No ano passado, SC exportou US$ 1,74 bilhão para os Estados Unidos. Entre os principais produtos embarcados estiveram: obras de carpintaria para construções, motores elétricos, partes de motor, madeira, transformadores elétricos e partes e acessórios para veículos.

“Reconquistar um cliente norte-americano perdido por conta de aplicação de tarifas é difícil e caro. Então, o prejuízo será enorme. Temos uma relação de 200 anos de comércio e cooperação. Não podemos perder isso”, declarou Aguiar.

Na quarta, dia 16, Aguiar reuniu-se com o vice-presidente da República e ministro de Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, e defendeu o diálogo para tentar reverter os impactos do tarifaço. 

No encontro, ele salientou que retaliar seria o pior encaminhamento, pois ampliaria ainda mais os prejuízos para a indústria brasileira. “Além de tentar reduzir as tarifas, precisamos buscar alternativas como a prorrogação do prazo de início da aplicação, para haver mais tempo para as negociações e para que as empresas tenham fôlego para se reorganizar e buscar novos mercados”, disse, lembrando que a palavra de ordem é negociar. 

Fonte: FIESC

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Comércio Exterior

Setor de café negocia com os EUA deixar o produto fora da nova tarifa

Argumento é de que café é um produto natural não disponível nos EUA e, com isso, não faria sentido a sobretaxa norte-americana

setor de café brasileiro negocia com o governo de Donald Trump, nos Estados Unidos, medidas para retirar o café da lista de produtos que devem ser sobretaxados em 50% a partir de 1º de agosto.

Uma fonte que acompanha as negociações disse à EXAME que, nos EUA, a National Coffee Association (NCA), entidade comercial que representa a indústria do café americana, realizará uma nova rodada de conversas com a gestão do republicano nesta semana.

A negociação entre a associação de classe e o governo americano, que começou em abril, visa incluir o café brasileiro na lista de produtos estratégicos, classificando-o como um produto natural não disponível nos Estados Unidos. Dessa forma, o produto brasileiro ficaria de fora da lista de tarifas de Trump .

Além do argumento, a NCA deve apresentar um estudo que mostra que o café gera significativa riqueza nos EUA, já que o país importa o grão e agrega valor por meio da industrialização. Cerca de 76% dos americanos consomem café.

Para cada dólar de café importado, são gerados US$ 43 na economia americana. Isso representa 2,2 milhões de empregos, o que equivale a 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA, segundo o estudo da NCA.

A pesquisa também destaca que a indústria de café contribui com US$ 343 bilhões para a economia norte-americana.

No Brasil, Lula se encontrará com representantes do agro

Do lado de cá, representantes do setor de café devem se reunir nesta terça-feira, 15, com o governo federal para discutir a tarifa de Trump.

Participam do encontro com a gestão de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entidades dos setores de laranja, celulose e café para definir os próximos passos nas negociações com o governo norte-americano. No domingo, 13, Luladeterminou a criação de um comitê interministerial para conversar com os setores mais afetados pela tarifa.

O encontro, marcado para as 14h, será liderado pelo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin (PSB), e contará com a participação dos ministérios da Agricultura e Pecuária (Mapa)Relações Exteriores e Fazenda.

Marcos Mattos, diretor-geral do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), afirmou à EXAME que, além do governo, a Frente Parlamentar Agropecuária (FPA) também agendou uma reunião para esta terça-feira, com foco na tarifa dos EUA.

A intenção, diz Mattos, é “munir os parlamentares” com informações sobre o setor e os possíveis impactos caso Trump mantenha a tarifa de 50% sobre os produtos importados do Brasil, a partir de 1º de agosto.

Além de ser o maior produtor mundial de café , o Brasil responde por 30% do market share de café nos EUA, segundo dados do Departamento de Estatísticas dos EUA, o que o posiciona como principal fornecedor do grão para o país, especialmente do tipo arábica. Em 2024, 83% do café desembarcado nos EUA era arábica.

No ano passado, os EUA representaram 16,1% de todas as exportações de café do Brasil , correspondendo, em termos de receita, a cerca de US$ 2 bilhões.

Com a taxação de Trump, países como Vietnã e Colômbia, que ocupam o segundo e o terceiro lugar, respectivamente, na produção global, não têm capacidade para oferecer uma quantidade significativa de café aos EUA, que têm uma demanda anual de 24 milhões de sacas. No caso do Vietnã, a produção é majoritariamente do tipo canéfora.

Tarifa de Trump

Analistas afirmam que, caso o Brasil deixe de exportar café para os EUA, a produção nacional poderia ser direcionada para outros mercados, especialmente os asiáticos, mas na visão do setor cafeeiro, a medida é vista como de curto prazo.

Na visão do diretor-executivo do Cecafé, sendo os Estados Unidos o principal mercado do Brasil, qualquer ação nesse sentido deve ser estruturada a longo prazo.

“Temos 30% do mercado. É preciso encontrar um meio-termo que beneficie ambas as partes”, afirma.

Celírio Inácio, diretor-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), compartilha da mesma visão e diz que, até que haja um alinhamento com novos mercados, “não há uma alternativa imediata”.

“Não podemos simplesmente substituir os 8 milhões de sacas exportadas para os Estados Unidos por outros países de forma rápida. Isso não é algo simples. Não podemos considerar a possibilidade de ficar sem os EUA”, diz.

José Pimenta Júnior, diretor de Comércio Internacional e Relações Governamentais na BMJ Associados, enfatiza que é necessário que o governo se organize com os setores agropecuários para definir os próximos passos, caso ocorram retaliações.

“Há diversas opções, que vão desde negociações de acesso a produtos americanos no mercado brasileiro, até retaliações em bens, além de possíveis retaliações cruzadas, como em Propriedade Intelectual ou Serviços”, afirma Pimenta.

Para ele, cabe ao governo brasileiro decidir quais instrumentos serão utilizados e como será feito esse processo.

“A experiência de outros países nas negociações com os americanos gira, principalmente, em torno do acesso preferencial e da melhoria do fluxo comercial. A retaliação, seja em bens ou cruzada, é uma medida arriscada e pode causar mais danos à relação bilateral”, diz.

Fonte: Exame

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Comércio Exterior

Em meio a tarifas e medidas de Trump contra o STF, Lula participa de encontro de países em defesa da democracia no Chile

Reunião terá líderes do Chile, Espanha, Colômbia e Uruguai. No início do mês, o presidente dos Estados Unidos anunciou tarifas de 50% sobre importação de produtos brasileiros.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participa nesta segunda-feira (21) de uma reunião com líderes do Chile, Colômbia, Espanha e Uruguai para discutir a defesa da democracia e o combate à desinformação em Santiago, capital chilena.

O objetivo da cúpula é avançar em um posicionamento compartilhado em favor do multilateralismo, da democracia e da cooperação global baseada na justiça social.

Segundo o governo do Chile, anfitrião do encontro, a reunião terá três eixos principais:

  • fortalecimento da democracia e o multilateralismo;
  • redução das desigualdades; e
  • luta contra a desinformação e regulação de tecnologias emergentes.

O tarifaço do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também deve ser um dos assuntos abordados na reunião.

No dia 9 de julho, o presidente dos Estados Unidos enviou uma carta ao presidente Lula e anunciou tarifas de 50% em cima dos produtos brasileiros que são importados pelos Estados Unidos.

Entre mais de 20 países que devem enfrentar cobranças elevadas sobre importação nos EUA, a medida anunciada ao Brasil é a mais alta até agora e deve começar a valer a partir de 1º de agosto.

Em um pronunciamento à nação na quinta-feira (17), Lula afirmou que as tarifas impostas por Trump são uma ‘chantagem inaceitável’ e chamou de ‘traidores da pátria’ políticos brasileiros que tem apoiado as medidas impostas pelo presidente dos Estados Unidos.

A reunião acontece nesta segunda-feira (21) e vai contar com a presença de:

  • Gabriel Boric, presidente do Chile;
  • Pedro Sánchez, primeiro-ministro da Espanha;
  • Gustavo Petro, presidente da Colômbia; e
  • Yamandú Orsi, presidente do Uruguai.

O encontro dá continuidade aos compromissos firmados durante o lançamento da iniciativa “En Defensa de la Democracia”, voltada para fortalecer as instituições democráticas e enfrentar desafios como a desigualdade e a disseminação de informações falsas.

A agenda prevê ainda um almoço na chancelaria chilena e um evento com a sociedade civil.

As propostas originadas na reunião serão levadas para o próximo encontro, previsto para acontecer às margens da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, em setembro deste ano.

Fonte: G1


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Comércio, Comércio Exterior, Economia

AGU pede ao STF que investigue “insider trading” antes de Trump tarifar o Brasil

Volume grande de compra e venda de dólares às vésperas e depois logo após o anúncio da taxa de Donald Trump aos produtos brasileiros sugere uso indevido de informações privilegiadas, segundo AGU

A AGU (Advocacia Geral da União) pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF), na noite do último sábado (19), uma investigação no mercado financeiro sobre operações de câmbio feitas com base em informações privilegiadas (insider trading), às vésperas do anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a imposição de taxa de importação de 50% sobre produtos brasileiros.

Segundo a AGU, o pedido direcionado ao STF pede para que “sejam investigadas possíveis correlações entre os elementos em apuração no inquérito e a o uso indevido de informações privilegiadas no mercado cambial brasileiro envolvendo o anúncio oficial de novas tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos ao Brasil, no dia 9 de julho”.

Na última sexta-feira (18), o portal g1 e a TV Globo noticiaram a realização de grandes compras de dólares horas antes do anúncio de Trump sobre o Brasil e que, horas depois, houve um grande volume de venda de dólares, “o que sugere possível utilização de informações privilegiadas (insider trading) por pessoas físicas ou jurídicas, supostamente com acesso prévio e indevido a decisões ou dados econômicos de alto impacto”.

O pedido da nova investigação está contido no inquérito já instaurado, a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), para apurar a conduta do Deputado Federal licenciado, Eduardo Bolsonaro, acusado de usar instrumentos comerciais internacionais como mecanismo de coação premeditada contra a Justiça brasileira.

“À luz dos fatos noticiados, podemos inferir que eles se inserem em contexto no qual os fatos já em apuração neste inquérito estão além dos ilícitos penais já indicados na Pet 14.129 pela Procuradoria-Geral da República, relacionados à obstrução da Justiça, mas também com possíveis ganhos financeiros ilícitos, mediante os mesmos fatos que buscaram impor embaraço à aplicação da lei penal”, enfatiza a AGU.

Providências 

O gabinete do ministro da AGU, Jorge Messias, pediu que a Procuradoria-Geral Federal, órgão da AGU que representa judicialmente Comissão de Valores Mobiliários (CVM), adote em caráter prioritário as medidas que reputar cabíveis no âmbito de suas atribuições, inclusive em articulação com outras autoridades nacionais.

“A AGU pontua, que além da esfera criminal, o uso ilícito de informação privilegiada enseja responsabilidade civil e administrativa, inclusive por prejuízos ao mercado e a investidores”, diz em comunicado.

Fonte: InfoMoney

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Comércio Exterior, Exportação, Informação, Tributação

Governo aguarda sinal de Trump para avançar negociação do tarifaço

No governo brasileiro, leitura é de que bola está no campo dos americanos

O Brasil aguarda um sinal da Casa Branca sobre as cartas já encaminhadas ao governo americano antes de avançar nas negociações para tentar derrubar o tarifaço imposto por Donald Trump às exportações brasileiras.

No governo brasileiro, a leitura é de que a bola está no campo dos americanos. Não há previsão de que o presidente Lula inicie ou provoque um contato com Trump, e nenhuma missão oficial do Executivo brasileiro rumo aos Estados Unidos está sendo planejada.

Segundo o Itamaraty, primeiro é preciso saber qual orientação a Casa Branca dará ao USTR sobre o Brasil. Foi ao órgão — sigla para United States Trade Representative (em tradução livre, Representante Comercial dos Estados Unidos) — que o vice-presidente Geraldo Alckmin encaminhou uma carta no dia 16 de maio, sem resposta, e outra na última terça-feira de julho, na qual demonstra “indignação” sobre o tarifaço, mas se coloca aberto à negociação.

O problema é que, segundo diplomatas brasileiros, os canais diplomáticos estão fechados em todos os níveis e não há interlocutores.

Até mesmo o Congresso brasileiro sofre as consequências. A comitiva de deputados e senadores que pretende embarcar na próxima sexta-feira para Washington com o objetivo de negociar o tarifaço ainda não tem certeza se será recebida por alguém do governo americano com força para negociar.
No governo, ainda prevalece a ideia de que o episódio abriu espaço para que Lula surfe a onda do nacionalismo e da defesa da soberania pelo maior tempo possível — o que tem incomodado o setor privado.

Empresários relatam que, com essa postura, o governo piora a situação, pois nada faz para “desescalar” as tensões e pensar em contramedidas. Também avaliam que a realização de reuniões com o setor privado serve mais para demonstrar diálogo do que para ajudar a definir uma estratégia clara de ação junto aos Estados Unidos.

O receio é de que, com a escalada do nacionalismo e o avanço do STF sobre Jair Bolsonaro, Trump retalie e amplie o tarifaço para 100%.

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Comércio Exterior, Economia, Exportação

Santa Catarina é líder nacional em exportação de madeira e móveis

Exportações de madeira e móveis são destaque na economia catarinense com faturamento de mais de US$ 800 milhões no primeiro semestre 

Santa Catarina encerrou o primeiro semestre de 2025 com alta de 6,6% no faturamento com exportações, principalmente pela contribuição de dois segmentos essenciais para a economia catarinense: o setor de madeira e o de móveis. O estado foi líder nacional em ambos os setores, que representaram cerca de 15% das exportações catarinenses entre janeiro e junho. Neste período, esses produtos chegaram a mais de 100 destinos em todo o mundo, conforme dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

O governador Jorginho Mello afirma que o resultado mostra, mais uma vez, a pujança da economia catarinense. “Temos apenas 1% do território nacional, mas somos destaque em diversos setores porque em Santa Catarina o Governo do Estado é parceiro de quem produz e trabalha. Além de não aumentar impostos, estamos facilitando a abertura de empresas, desburocratizando, para facilitar a vida do empreendedor e permitir que a economia se desenvolva”, destaca.

Líder nacional em exportação de madeira

No primeiro semestre de 2025, Santa Catarina foi o estado brasileiro que mais faturou com exportação de madeira e produtos derivados de madeira e cortiça. Foram 1,3 milhão de toneladas de produtos que renderam US$ 668,7 milhões. O valor representa 37% das exportações brasileiras de madeira e 11,4% de toda a exportação catarinense no período (US$ 5,85 bilhões).

No ranking nacional liderado por Santa Catarina, o segundo lugar é do Paraná, também grande exportador do produto. Os paranaenses tiveram faturamento de US$ 641,2 milhões. Rio Grande do Sul (US$ 148 milhões), São Paulo (US$ 106 milhões) e Pará (US$ 99 milhões) aparecem na sequência.

“Santa Catarina possui diversas indústrias especializadas em matérias-primas e produtos de madeira, como pallets, laminados, portas e compensados. O status de primeiro lugar no Brasil é mais um indicativo de que nossas empresas estão produzindo com excelência e competitividade. E muitas delas contaram com apoio do Governo do Estado por meio de programas como Prodec e Pró-Emprego. Ou seja, programas que deram resultado positivo”, afirma o secretário de Estado de Indústria, Comércio e Serviço, Silvio Dreveck.

Os principais municípios exportadores de madeira são Caçador, Lages, Três Barras, Itajaí e Curitibanos.

Líder nacional em exportação de móveis

Santa Catarina também foi líder nacional na exportação de móveis durante o primeiro semestre de 2025. O estado faturou US$ 141,3 milhões, à frente do Rio Grande do Sul, com US$ 118,1 milhões; Paraná, com US$ 80,8 milhões; e São Paulo, com US$ 77,9 milhões. Conforme os dados, Santa Catarina responde por quase um terço (32%) do faturamento com exportações de móveis em todo o Brasil.

“O resultado positivo nas exportações de móveis é um orgulho para Santa Catarina. Isso porque a produção catarinense está ingressando em mercados muito exigentes, como América do Norte e Europa. Além disso, o faturamento em alta injeta recursos na economia catarinense, gerando emprego e renda e trazendo benefícios para toda a cadeia produtiva”, acrescenta o secretário Silvio Dreveck.

Os principais municípios exportadores de móveis são, em ordem, São Bento do Sul, Caçador, Campo Alegre, Rio Negrinho e Fraiburgo. Entre os produtos mais exportados estão camas, colchões, mesas e cadeiras.

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Comércio Exterior

Alckmin pediu reforço de 100 analistas no Mdic horas antes do tarifaço

Vice-presidente e ministro do Comércio pede a Esther Dweck (Gestão e Inovação) para integrar excedentes do “Enem dos Concursos” ao seu time com impacto de R$ 82 milhões até 2027

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, pediu autorização para adicionar mais 100 analistas de comércio exterior ao seu time às vésperas do tarifaço iniciado pelos Estados Unidos de Donald Trump (Partido Republicano) contra o Brasil.

Poder360 teve acesso a um ofício enviado por Alckmin à ministra Esther Dweck (Gestão e Inovação) solicitando o reforço. O documento foi assinado às 14h56 de 9 de julho.

Trump anunciou a taxa de 50% contra as importações brasileiras por volta das 17h daquele dia, mas já ameaçava cobrança extra ao Brasil nos dias anteriores. A nova alíquota vale a partir de 1º de agosto.

O pedido inicial do vice-presidente foi enviado em 1º de julho. Na época, queria mais 12 analistas de comércio exterior. O texto de 8 dias depois trazia mais dados para embasar a solicitação e aumentou a quantidade de profissionais para 100.

A ideia do chefe do Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) é contratar excedentes que passaram para o cargo no CNU (Concurso Nacional Unificado) em 2024.

São as pessoas que ficaram imediatamente atrás dos aprovados para analista de comércio exterior na prova.

O ofício de Alckmin diz que o impacto orçamentário e financeiro seria de R$ 81,9 milhões até 2027, dividido da seguinte forma:

  • 2025 – R$ 2,93 milhões;
  • 2026 – R$ 38,99 milhões; e
  • 2027 – R$ 40,01 milhões.

“Tal proposta de ampliação visa a dar encaminhamento mais efetivo e realista à atual situação do quadro funcional do Mdic, para fortalecer sua estrutura de maneira sustentável e garantir a implementação eficaz das políticas públicas”, diz o documento.

Além das vagas de analista de comércio exterior, Alckmin também solicitou mais 12 analistas técnicos administrativos e 2 economistas.

A Associação dos Analistas de Comércio Exterior apoia a medida. Uma carta do setor menciona os movimentos de Trump como uma necessidade maior dos funcionários.

“A recente ação dos Estados Unidos contra o Brasil, em flagrante violação dessas normas, é só um exemplo da complexidade e da volatilidade que caracterizam o ambiente global”, disse a entidade em carta aberta.

Segundo o texto, os profissionais atuam em áreas como:

  • inteligência comercial;
  • Investigações de práticas desleais de comércio;
  • gestão de instrumentos tarifários; e
  • negociações e disputas comerciais internacionais.

A associação também defende que haja uma definição legal das atribuições da carreira. Ou seja, que as funções da profissão fiquem definidas por lei.

De forma simbólica, também pedem a volta da expressão “Comércio Exterior” na denominação do Mdic.

Fonte: Poder 360

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Comércio Exterior, Internacional

Tarifaço de Trump: ES não fecha novos negócios e deixa de exportar 2,5 mil toneladas de café para os EUA em 7 dias

Estimativa é do Centro do Comércio de Café de Vitória, que representa os exportadores capixabas. No Brasil, novos negócios com os Estados Unidos também não foram fechados, deixando mais de 12,6 mil toneladas de café sem comercialização.

exportação de café do Espírito Santo para os Estados Unidos está paralisada desde o anúncio feito por Donald Trump da nova tarifa de 50% sobre produtos brasileiros. Em 7 dias, o estado deixou de embarcar cerca de 42 mil sacas, o equivalente a 2,5 mil toneladas de café cru e solúvel. O dado é do Centro do Comércio de Café de Vitória (CCCV), que representa os exportadores do estado.

Novos negócios também não foram selados com os Estados Unidos em todo o país. De acordo com o CCCV, mais de 210 mil sacas de café brasileiro deixaram de ser comercializadas para os Estados Unidos, o que corresponde a 12,6 mil toneladas sem destino.

O vice-presidente da entidade, Jorge Nicchio, explicou que o impacto foi imediato e atingiu tanto grandes quanto pequenas empresas do setor.

“Esse comércio está parado. O que já tá vendido, a gente não sabe ainda o que vai acontecer, porque tem café já vendido anteriormente ao anúncio dessa taxação e que vai ser embarcado agora. Mas, desde então, não têm sido feitas novas vendas para os Estados Unidos”, explicou Jorge.

Brasil é um dos maiores exportadores do mundo

O Brasil é o maior exportador de café do mundo, e os Estados Unidos são historicamente um dos seus principais mercados. No Espírito Santo, o impacto é ainda mais forte, já que o estado lidera a produção nacional de café conilon e é também um dos maiores produtores de café solúvel, que costumam ter demanda no mercado americano.

Nicchio pontuou ainda que o impacto também será sentido pelos Estados Unidos, uma vez que eles produzem só 1% do café consumido por sua população.

O Brasil é o principal fornecedor de café para os EUA e detém cerca de um terço do mercado norte-americano. Países como China, Índia, Indonésia e Austrália podem absorver parte da demanda, mas não seria simples.

“As indústrias relacionadas ao café geram aproximadamente 2 milhões de empregos nos Estados Unidos. São muitas cafeterias, indústrias. Essa medida não atinge só o Brasil, os Estados Unidos também vão sofrer muito, porque outros concorrentes, no curto prazo, dificilmente vão conseguir suprir”, concluiu o vice-presidente do CCCV.

Outros setores também enfrentam problemas

A suspensão de novos pedidos não afeta somente os produtores de café. Relatos de suspensão aconteceram nos setores de rochas naturais, gengibre e pimenta-do-reino.

No setor de rochas, mais da metade dos embarques foram suspensos. Segundo a Associação Brasileira de Rochas Naturais (Centrorochas), com a suspensão dos pedidos, 1.200 contêineres devem deixar de embarcar até o fim de julho, um prejuízo estimado de US$ 40 milhões.

O secretário de Agricultura Enio Bergoli contou que existem relatos de que as exportações de pimenta-do-reino e gengibre tiveram paralisações. “Tem casos concretos de paralisação de envio. Falei com exportadores e já suspenderam antes de embarcar, desistiram do negócio”, relatou.

Apesar dos impactos nesses dois produtos, Bergoli disse que ainda é precoce calcular os prejuízos financeiros do anúncio da medida, que entra em vigor somente em 1º de agosto.

“Não é uma tarefa simples quantificar, mas já começamos a vivenciar prejuízos. Pequenos produtores, por exemplo, conseguimos enviar para outros países, mas os exportadores maiores não é uma tarefa rápida”, concluiu.

Celulose e pescado mantêm embarques, mas setores estão apreensivos

Diferentemente de outros produtos do agronegócio capixaba, os embarques de celulose e pescado para os Estados Unidos ainda não foram interrompidos. Mas os representantes desses setores demonstram preocupação com os possíveis desdobramentos do tarifaço.

Segundo Agostinho Miranda Rocha, vice-presidente do Sindicato das Indústrias de Papel, Papelão e Celulose do Estado do Espírito Santo (Sinpacel-ES), as exportações seguem normalmente, mas com atenção redobrada.

“Nós não tivemos, por enquanto, nenhuma informação sobre cancelamento de pedido. Mas estamos fazendo análises internas. Temos um setor dentro do ecossistema, como papel, papelão, cartonagem e celulose. Os impactos vão ser mais fortes na questão da celulose”, explicou.

Já no setor de pescado, os embarques continuam ocorrendo por enquanto, mas a apreensão é sobre os próximos meses. De acordo com Mauro Lúcio Peçanha de Almeida, presidente do Sindicato das Indústrias da Pesca do Estado do Espírito Santo (Sindipesca), ainda há envios ativos para os Estados Unidos, porque o produto é in natura e transportado por avião.

“Estamos embarcando normalmente, por ser um produto in natura, enviado por avião. O impacto direto ainda não aconteceu, mas a preocupação é com o que pode vir depois que a tarifa entrar em vigor”, disse.

Exportações do agronegócio em números

De acordo com análise da Gerência de Dados e Análises da Secretaria da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag), em 2024 o Espírito Santo exportou mais de US$ 800 milhões para os EUA.

Já no acumulado de 2025 (de janeiro a maio), o valor exportado alcança US$ 253,4 milhões, demonstrando continuidade e diversidade dessa relação comercial, apesar das oscilações nos volumes e preços.

EUA é o maior comprador de rochas do ES

Os Estados Unidos são o principal comprador externo de rochas naturais do Espírito Santo. Somente em junho de 2025, foi responsável por 62,4% de todas as exportações do setor. Outros compradores internacionais, como a China, são responsáveis por adquirir 17,5% das rochas produzidas no estado.

Veja destinos de exportações de rochas do ES

Fonte: G1

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Comércio Exterior

Tarifa de 50% dos EUA ameaça competitividade do suco de laranja brasileiro, alerta Cepea

Impacto da tarifa sobre o setor citrícola nacional

A imposição de uma tarifa adicional de 50% sobre as importações de suco de laranja brasileiro pelos Estados Unidos gera grande preocupação para o setor citrícola do Brasil. Segundo pesquisadores do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), a medida compromete a sustentabilidade da cadeia produtiva nacional e ameaça o principal fluxo comercial internacional da commodity.

Brasil como líder global em exportação de suco

O país é o maior exportador mundial de suco de laranja, e essa tarifa imposta pelos EUA compromete sua competitividade no mercado externo, além de criar pressões inflacionárias para o consumidor norte-americano, que depende fortemente do fornecimento brasileiro.

Cenário de recuperação da safra paulista

O impacto da tarifa ocorre em um momento de recuperação da safra paulista de laranja. Com a combinação de maior oferta e barreiras comerciais, os pesquisadores do Cepea apontam para o provável acúmulo de estoques industriais e queda dos preços no mercado interno.

Redirecionamento das exportações e pressão sobre preços

Com a dificuldade de acesso ao mercado norte-americano, volumes que seriam exportados para os EUA podem ser redirecionados para os mercados europeu e interno. Isso tende a aumentar a oferta nesses mercados, intensificando a pressão sobre os preços internacionais e gerando efeitos negativos em toda a cadeia produtiva.

Previsões para o curto prazo

No curto prazo, o excedente de suco causado pela tarifa deve provocar desequilíbrio nos estoques e redução das margens de lucro da indústria nacional, impactando a sustentabilidade econômica do setor citrícola.

Fonte: Portal do Agronegócio

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