Agronegócio

Proteínas e biocombustíveis devem impulsionar o agro brasileiro, diz pesquisa

Estudo da Bain & Company apresentado no “Vozes do Agro” mostra que o setor enfrenta desafios globais e locais, mas tem oportunidade crescente na demanda por carnes e combustíveis renováveis

O agronegócio brasileiro tem dois fatores que devem promover sua capacidade competitiva no cenário global: a alta demanda por proteínas e a expansão dos biocombustíveis. Essa é a conclusão de estudo da consultoria Bain & Company que foi apresentado durante o evento “Vozes do Agro”, realizado pela Globo Rural e Valor nesta terça-feira (16/9) em São Paulo.

O documento, explicado por Arián Krakov e Felipe Cammarata, sócios da Bain, destacou que o Brasil se posiciona como uma potência agrícola mundial, com um papel crucial para alimentar o mundo, liderar a transição energética e fornecer créditos de carbono.

No entanto, no caminho para ganhar maior destaque, o agro brasileiro enfrenta desafios globais e locais. Entre os obstáculos do cenário global estão as mudanças climáticas, a necessidade de redução de emissões de carbono, o impacto de tarifas e políticas de governos estrangeiros e a pressão social regulatória crescente sobre insumos agrícolas.

Em nível nacional, o documento destaca as dificuldades causadas pela queda de rentabilidade dos produtores nos últimos anos, a necessidade de melhor infraestrutura logística e a restrição de crédito e financiamentos.

O agronegócio brasileiro já demonstrou sua grande capacidade de produção. Agora temos saber aproveitar as oportunidades de crescimento que existem”

— Arián Krakov.

Oportunidades

Uma das oportunidades é a demanda crescente por proteínas no mundo, especialmente entre os jovens. Segundo uma pesquisa global realizada pela Bain, entre a geração Z (pessoas nascidas entre a segunda metade da década de 1990 até o início dos anos 2010), 59% dos entrevistados afirmou que queria consumir mais proteínas. Para Krakov, o mercado global de proteínas em expansão reforça o papel do Brasil como fornecedor-chave desse produtor.

Outro fator destacado é a expansão dos biocombustíveis. A transição energética amplia o espaço para etanol, biodiesel, SAF e matérias-primas para essas fontes de energia, criando novas avenidas de crescimento para o agro. Cammerata lembrou que a demanda de biodiesel deve crescer 8% ao ano até 2030. Além disso, destacou que o Brasil possui 29 usinas de etanol de milho em projeto ou construção. “Na última safra, 17% do etanol produzido foi originado por milho, volume que já é o dobro de 2020/21”, apontou.

O documento da Bain destaca ainda que o agronegócio brasileiro ainda possui grande potencial para expansão do cultivo de matérias-primas. Segundo Cammeratta, apenas 50% das áreas agrícolas brasileiras possuem alguma atividade de segunda safra. “Respeitando as condições de cada local, praticamente metade das terras do páis poderia ser explorada duas vezes ao ano”, afirmou.

Fonte: Globo Rural

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Brasil pode ocupar espaço dos EUA no comércio com a China

Exportações de grãos, soja e milho, e de proteínas devem ser beneficiadas com a guerra comercial entre os países

Relatório do Itaú BBA confirma que o Brasil poderá ser beneficiado na guerra comercial entre Estados Unidos e China, agravada desde a posse do presidente americano Donald Trump, no dia 20 de janeiro. De acordo com relatório dos analistas Gustavo Troyano e Bruno Tomazetto, o enfrentamento tributário entre as duas nações deverá provocar pressão descendente sobre as exportações agrícolas dos EUA, ajustes de preços no mercado global de grãos e proteínas e redirecionamento da oferta.

Ao mesmo tempo em que o cenário favorece a ampliação de presença do agro nacional no mercado chinês, há possibilidade de elevação de preços dos grãos no Brasil. Por fim, o estudo indica eventual aumento da volatilidade do mercado de commodities em meio à escalada de tarifas.

Proteínas e grãos

Proteínas, principalmente carne bovina, grãos, com destaque para soja e milho, são os setores com potencial para ocupar o espaço aberto pela perda de competitividade dos exportadores americanos.

Em resposta à medidas comerciais determinadas por Trump, Pequim anunciou aumento nas tarifas de importação sobre produtos agrícolas americanos. As novas tarifas incluem um aumento de 15% em aves, trigo, milho e algodão, e um aumento de 10% para carne bovina, suína, soja, sorgo, laticínios, frutos do mar, entre outros. As medidas entrarão em vigor a partir da próxima segunda-feira, dia 10.

“A mudança na demanda deve reforçar a posição do Brasil como um fornecedor-chave de grãos e carne para a China, mas também pode aumentar a volatilidade dos preços nos mercados agrícolas globais, particularmente à medida que os exportadores dos EUA buscam destinos alternativos”, diz o relatório.

Assim, em contrapartida ao ganho adicional no mercado de proteínas, haveria aumento de custos de ração, repetindo fenômeno ocorrido em 2018, durante o primeiro mandato de Trump, quando o presidente americano deu início ao confronto comercial. “O prêmio dos grãos brasileiros pode aumentar devido ao aumento da demanda da China, tornando os custos da ração mais caros para os produtores locais de proteína”, explica o texto.

Percentuais de participação

Atualmente, a China é o destino de 50% das exportações de soja dos Estados Unidos. A China importa 90% do consumo doméstico da oleaginosa, com o país da América Norte sendo responsável por 23% desse abastecimento. Outro produto negociado entre os dois países é algodão, com a nação asiática absorvendo 37% do total embarcado pelos EUA.

Conforme o relatório, em escala global, 17%, 10% e 2% do fluxo comercial de soja, algodão e carne bovina está concentrado entre as exportações dos EUA enviadas para a China, sugerindo potenciais ventos favoráveis para grandes exportadores secundários.

Nesses produtos, o Brasil representa quase 60%, 30% e 25% da produção global total e 40%, 15% e 20% das exportações globais totais. Atualmente, as exportações brasileiras para a China nessas categorias respondem por 70%, 35% e 50% das exportações totais e 70%, 40% e 45% das importações chinesas em 2024.

Em Porto Alegre

Itaú BBA cita as empresas SLC, com sede em Porto Alegre, e BrasilAgro como os principais players brasileiros beneficiados no contexto. A guerra comercial afasta ainda, conforme o estudo, a possibilidade de a China suspender embarques de soja brasileira em razão de restrições sanitárias.

“O cenário macro não parece ideal para uma proibição generalizada de importações chinesas do Brasil, como algumas notícias apontaram há um mês, e qualquer medida deve ser abordada com cautela em meio a incertezas relacionadas ao risco de sanções no relacionamento comercial entre os EUA e a China”, escrevem os analistas.

Lançadas em janeiro, as investigações chinesas sobre a produção de soja brasileira devem durar oito meses.

FONTE: .Correio do Povo
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