Comércio

Acordo Mercosul-UE impulsiona pedidos de patentes no Brasil

A assinatura do acordo entre Mercosul e União Europeia (UE) vai além da redução de tarifas e da ampliação do comércio bilateral. A expectativa de especialistas é de que o tratado desperte maior interesse de empresas europeias em registrar patentes no Brasil, fortalecendo o sistema nacional de propriedade intelectual.

Segundo analistas da área, historicamente, a maior parte dos depósitos de patentes no país tem origem estrangeira. Com a integração econômica entre os blocos, esse fluxo tende a se intensificar, especialmente a partir da Europa.

Sistema brasileiro busca retomada de crescimento

Embora o cenário não seja considerado crítico, os números ainda estão abaixo do potencial brasileiro. Em 2025, foram registrados 29,5 mil pedidos de patentes, o melhor desempenho desde 2016. Ainda assim, o resultado é inferior ao pico de mais de 33 mil depósitos alcançado em 2015, em contraste com a tendência global de crescimento contínuo.

Para especialistas, o acordo Mercosul-UE pode contribuir para reverter esse quadro e recolocar o Brasil em uma rota mais alinhada ao movimento internacional de inovação e proteção tecnológica.

Mercado ampliado aumenta atratividade do país

De acordo com Gabriel Leonardos, sócio do Kasznar Leonardos Advogados, a implementação do tratado deve tornar o Brasil mais estratégico para empresas globais. O país passaria a ser visto como uma base industrial capaz de atender um mercado estimado em 700 milhões de consumidores.

A expectativa é de um aumento progressivo dos depósitos de patentes europeias no curto prazo. Em um horizonte mais amplo, Leonardos avalia que companhias de outras regiões também devem buscar proteção no Brasil, reconhecendo a importância do país dentro de cadeias produtivas internacionais.

Previsibilidade regulatória favorece inovação

Na avaliação de João Vieira da Cunha, sócio do escritório Gusmão & Labrunie Advogados, o acordo amplia o alcance dos negócios entre os blocos econômicos. Esse novo contexto torna natural — e até esperado — o crescimento da demanda por proteção patentária no Brasil.

A mesma visão é compartilhada por Marc Hargen Ehlers, sócio do Dannemann Siemsen. Para ele, a maior integração econômica, aliada à redução de barreiras comerciais e ao aumento da previsibilidade regulatória, tende a estimular decisões de longo prazo por parte das empresas europeias.

Setores estratégicos devem liderar novos depósitos

Com o Brasil integrado a uma estratégia regional mais ampla, o depósito de patentes passa a ser essencial para resguardar ativos tecnológicos, viabilizar produção local, além de fomentar licenciamentos e parcerias comerciais.

Ehlers destaca que o movimento deve ser mais intenso em setores como automotivo, químico e petroquímico, farmacêutico, energia, biotecnologia, tecnologias industriais e tecnologias digitais, incluindo inteligência artificial.

A tendência, segundo ele, é de um crescimento consistente no volume de pedidos de patentes no Brasil, acompanhando o aumento de investimentos produtivos, transferência de tecnologia, fortalecimento das cadeias de suprimento e maior presença industrial estrangeira no país.

FONTE: Conjur
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/ICL Notícias

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Exportação

Petrobras e Pluspetrol realizam primeira exportação de gás de Vaca Muerta para o Brasil

Petrobras e Pluspetrol deram um passo importante na integração energética entre Argentina e Brasil ao concretizar a primeira importação de gás natural não convencional proveniente de Vaca Muerta. A operação foi realizada na última sexta-feira, envolvendo 100.000 metros cúbicos de gás da bacia neuquina, por meio da subsidiária argentina POSA.

Transporte e logística do gás

O gás foi inicialmente transportado da Argentina para a Bolívia e, em seguida, encaminhado ao Brasil via gasoduto. A iniciativa está alinhada à estratégia do governo de Lula da Silva, que busca ampliar o fornecimento de gás natural no mercado interno e reduzir os preços para os consumidores finais.

Expansão das possibilidades de importação

Angélica Laureano, diretora de Transição Energética e Sustentabilidade da Petrobras, ressaltou que a operação abre novas oportunidades para a importação de gás, reforçando o compromisso da companhia com o desenvolvimento sustentável do setor energético brasileiro.

O acordo vigente permite à Petrobras importar até 2 milhões de metros cúbicos de forma intermitente, dentro de um convênio entre as empresas e suas subsidiárias. Futuras importações devem ocorrer conforme surgirem novas oportunidades comerciais.

Crescente interesse pelo mercado argentino

O transporte de gás argentino via Bolívia tem sido discutido nos últimos anos, principalmente devido à redução da produção boliviana, que impactou os volumes de exportação. A participação de 33,6% da POSA no campo de Río Neuquén, localizado em Neuquén e Río Negro, reforça o interesse estratégico da Petrobras na região.

Vale lembrar que esta não é a primeira experiência com o gás de Vaca Muerta: em abril, a TotalEnergies realizou um teste piloto, enviando 500.000 m³ diários por 10 dias para o Brasil, mostrando o aumento do interesse em explorar os recursos não convencionais da Argentina para o mercado brasileiro.

FONTE: Ser Industria
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Ser Industria

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Comércio Exterior, Exportação

Brasil lidera como principal destino do vinho chileno

As exportações de vinho do Chile para o Brasil registraram crescimento significativo em 2025, consolidando o país como o maior mercado importador da bebida chilena. O aumento nos embarques para o território brasileiro ajudou a equilibrar a retração nas vendas para os Estados Unidos, impactadas por tarifas comerciais impostas pelo governo norte-americano.

Segundo dados da associação Wines of Chile, as compras norte-americanas — que ocupam o segundo lugar em volume — caíram 13% nos sete primeiros meses do ano. A queda está diretamente relacionada à aplicação de uma tarifa de 10%, que antes era inexistente.

Tarifas nos EUA afetam desempenho do vinho chileno

Angelica Valenzuela, diretora comercial da Wines of Chile, explicou que o impacto das tarifas foi inicialmente absorvido por produtores e importadores. No entanto, com a permanência da medida, o custo passou a ser repassado ao consumidor final. “Toda vez que há uma barreira comercial, ocorre uma desaceleração no mercado”, afirmou.

Valenzuela também destacou que o mercado norte-americano se mostra atualmente menos dinâmico e em processo de retração.

Queda na China e avanço no Brasil

Além dos Estados Unidos, a China também apresentou queda nas importações de vinho chileno — cerca de 23% no mesmo período. A redução, segundo Valenzuela, está ligada ao menor consumo da bebida no país asiático, tendência que afeta diversos exportadores.

Em contrapartida, o mercado brasileiro de vinhos segue em expansão. As exportações do Chile para o Brasil cresceram quase 10%, reforçando a liderança do país sul-americano como principal destino da bebida chilena.

Potencial de crescimento no mercado brasileiro

O Chile já representa aproximadamente metade das importações de vinho realizadas pelo Brasil. Valenzuela acredita que há um “enorme potencial de expansão”, impulsionado pelo aumento do número de consumidores regulares de vinho, especialmente entre mulheres e pessoas com maior poder aquisitivo.

Apesar das oscilações em mercados específicos, o desempenho geral das exportações de vinho chileno se manteve estável ao longo de 2025.

FONTE: Com informações de Wines of Chile.
TEXTO: Redação

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Agronegócio, Economia, Gestão, Industria, Informação, Negócios

Biodiesel tem menor preço em quase 5 meses no Brasil com pressão do mercado de óleo de soja

Os preços do biodiesel no mercado brasileiro cederam quase 7% no acumulado do ano até o início de março, segundo dados da agência reguladora ANP, e têm possibilidade de cair mais, considerando a entrada da safra recorde de soja e a queda das cotações internacionais do óleo de soja, principal matéria-prima do biocombustível.

Especialistas no mercado também citam a própria manutenção da mistura de 14% no biodiesel no diesel no Brasil, que deveria ter subido para 15% a partir do início de março –algo que não aconteceu por preocupações inflacionárias, conforme decisão do governo brasileiro.

Com o recuo nos preços do biodiesel para 5,797 reais por litro na média do país, de acordo com levantamento da ANP divulgado nesta semana, o biocombustível passou ao menor nível desde o final de outubro de 2024, após ter oscilado no ano passado nos maiores patamares em quase três anos.

“Temos visto essas correções nos preços do óleo de soja, já demonstrado uma queda pela postergação da mistura (de biodiesel). Obviamente, menor demanda de biodiesel significa menor demanda por óleo”, disse o analista de inteligência de mercado da StoneX Leonardo Rossetti.

Nos cálculos da consultoria, o óleo de soja responde por entre 82% e 85% da matéria-prima do biodiesel, considerando também uma parcela incluída em “outros materiais graxos” em dados compilados da ANP.

Na avaliação de Rossetti, apesar da mistura menor, deve haver algum crescimento da demanda por biodiesel no país pelo aumento do mercado de diesel, “mas muito menor” do que as expectativas iniciais.

Mas a safra recorde no Brasil, com produção próxima de 170 milhões de toneladas, o que significaria um aumento de cerca de 10% ante a temporada passada, um processamento de soja também recorde no país e uma queda na bolsa de Chicago –por incertezas sobre a demanda nos EUA — trazem uma perspectiva de alívio de custos.

“Visto este cenário e preços internacionais em queda, existe espaço para o óleo ceder um pouco e o biodiesel seguir”, disse o especialista da StoneX.

Desde o pico do ano, o preço do óleo de soja na bolsa de contratos futuros de Chicago recuou mais de 10%, para 42,60 centavos de dólar por libra-peso.

A conjuntura pode beneficiar empresas como Oleoplan, Be8, Potencial, Olfar, JBS e Três Tentos, que juntos representaram cerca de 50% das vendas totais de biocombustível em 2024, conforme dados de relatório da Moody’s divulgado nesta quinta-feira.

A agência ressaltou ainda a importância da mistura obrigatória para o crescimento da produção de biodiesel no Brasil, que mais do que dobrou desde 2017 para 9,1 bilhões de litros em 2024.

CHANCE PARA A MISTURA MAIOR?

Uma queda no preço do petróleo e do dólar em relação ao real também são fatores que colaboram para pressionar os combustíveis, o que na visão do sócio-diretor da Raion Consultoria, Eduardo Oliveira de Melo, poderia ser uma conjuntura favorável para um corte do preço do diesel, pela Petrobras, e a retomada pelo governo dos planos da mistura de 15%.

“Alterando de B14 para B15, nos atuais custos, traria um impacto de 2 centavos, média Brasil, sobre o preço do diesel B (com a mistura de biodiesel). É claro que a gente tem que entender que não é um impacto muito significativo”, disse Melo, lembrando que o diesel fóssil é mais barato que o biocombustível. Mas ele avalia que o governo poderia também aproveitar esse momento.

“Caso… quisesse amenizar (o impacto de um eventual aumento da mistura para B15), seria uma excelente oportunidade, de repente, fazer um corte no diesel A, porque as referências internacionais, ainda mais com a apreciação do câmbio, favorecem para esse movimento. E é uma redução que já é esperada. A gente tem aí uma expectativa que aconteça, não sabemos quando”, afirmou.

Na avaliação da Raion, haveria espaço para o diesel da Petrobras ser reduzido em 40 centavos de real por litro nas refinarias, após a Petrobras ter aumentado o preço do combustível em mais de 6% ao final de janeiro e o petróleo Brent ter recuado cerca de 6% desde então.

“Então, o que o governo poderia fazer? Poderia, de repente, utilizar isso como oportunidade para poder fazer um corte do diesel A, concomitante à entrada do B15, porque aí ele poderia amenizar esse impacto ainda que ele não fosse tão relevante”, argumentou.

Uma fonte do governo que acompanha o setor avalia que o raciocínio faz sentido. “Se a tendência se mostrar de queda (do biodiesel), melhora bastante a situação deles (dos produtores)”, afirmou, na condição de anonimato.

Melo defendeu ainda que o Brasil deveria regulamentar a importação de biodiesel para “criar um ambiente mais competitivo no mercado, traduzindo em menores custos do biocombustível para o consumidor”. Ele lembrou que várias entidades do mercado já se posicionaram a favor de possível regulamentação.

(Por Roberto Samora e Marta Nogueira)

FONTE: Reuters
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Economia, Industria, Informação, Negócios, Notícias, Tributação

Tarifas impostas por Donald Trump podem afetar mercado automotivo Brasileiro

Em 2025, as tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre importações do Canadá e do México continuam a gerar preocupações no setor automotivo brasileiro.

As medidas, que visam incentivar a produção interna norte-americana, têm potencial para afetar significativamente a economia brasileira, especialmente no que diz respeito aos custos de produção e preços finais dos veículos.

As tarifas de 25% aplicadas pelos EUA foram temporariamente suspensas para veículos do Acordo Estados Unidos-México-Canadá, mas devem ser retomadas em breve. Essa situação coloca o Brasil em uma posição delicada, uma vez que o país pode enfrentar um aumento nos custos de importação de peças e componentes automotivos, impactando a competitividade das montadoras locais.

Como as tarifas afetam o Brasil?

O Brasil, que já enfrenta desafios econômicos internos, pode ver suas exportações reduzidas caso os Estados Unidos decidam aplicar tarifas recíprocas. Isso afetaria não apenas o setor automotivo, mas também outras indústrias que dependem de exportações para os EUA. O aumento nos custos de importação de materiais como aço e componentes eletrônicos poderia elevar os preços dos veículos no mercado interno.

Além disso, o setor de siderurgia brasileiro, que não é autossuficiente, pode sofrer com a redução das exportações para os Estados Unidos. A Gerdau USA, por exemplo, importa semiacabados para finalizar a laminação nos EUA, e qualquer mudança nas tarifas pode impactar diretamente essa operação.

Quais são as consequências para o consumidor brasileiro?

Para o consumidor brasileiro, o impacto mais imediato seria o aumento dos preços dos veículos. Com a elevação dos custos de produção, as montadoras podem repassar esses custos aos consumidores finais. Além disso, a presença de carros chineses no mercado brasileiro, que têm estratégias agressivas de precificação, pode ser afetada, resultando em um aumento geral nos preços dos veículos.

O mercado automotivo brasileiro já enfrenta uma concorrência acirrada, com 44 marcas disputando um espaço limitado. A entrada de novas montadoras chinesas em 2025, com modelos eletrificados, pode alterar ainda mais a dinâmica do mercado, exigindo que as empresas ajustem suas estratégias para se manterem competitivas.

Tarifas impostas por Donald Trump podem afetar mercado automotivo Brasileiro
Imagem de carros – Créditos: depositphotos.com / welcomia

Como as montadoras brasileiras podem reagir?

As montadoras brasileiras precisam adotar estratégias eficazes para lidar com os desafios impostos pelas tarifas dos EUA. Isso inclui a busca por fornecedores alternativos, a otimização de processos de produção e a adaptação às novas condições de mercado. Além disso, é essencial que as empresas mantenham um diálogo aberto com o governo para buscar soluções que minimizem os impactos econômicos.

Os especialistas sugerem que, para enfrentar as incertezas do mercado, as montadoras devem focar em inovação e eficiência. A introdução de veículos eletrificados e a adaptação às novas demandas dos consumidores podem ser caminhos viáveis para manter a competitividade no cenário global.

O futuro do setor automotivo brasileiro

O futuro do setor automotivo brasileiro dependerá de como o país e suas indústrias se adaptam às mudanças no cenário internacional. As tarifas dos EUA representam um desafio significativo, mas também uma oportunidade para o Brasil fortalecer sua indústria automotiva e buscar novas parcerias comerciais.

Em um mundo cada vez mais globalizado, a capacidade de adaptação e inovação será crucial para o sucesso das montadoras brasileiras. Com uma abordagem estratégica e colaborativa, o Brasil pode superar os desafios impostos pelas tarifas e continuar a crescer no mercado automotivo global.

FONTE: Terra Brasil Notícias
Tarifas impostas por Donald Trump podem afetar mercado automotivo Brasileiro – Terra Brasil Notícias

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