Investimento

Corredor Bioceânico no Paraguai recebe US$ 200 milhões do BID para novo trecho

O corredor bioceânico no Paraguai ganhou um novo impulso financeiro. O Banco Interamericano de Desenvolvimento aprovou um empréstimo de US$ 200 milhões para viabilizar mais uma etapa da obra que integra a chamada Rota Bioceânica, projeto estratégico de integração regional.

O financiamento foi autorizado pelo Conselho Executivo da instituição e será destinado à construção de 102,5 quilômetros de rodovia em território paraguaio.

Trecho financiado integra a Rodovia PY15

A obra faz parte dos Projetos Específicos de Investimento (PEI) do Paraguai e está dividida em três segmentos. O primeiro já foi entregue, enquanto o terceiro segue em execução.

Os recursos liberados pelo BID serão aplicados no segundo trecho, correspondente à Rodovia Nacional PY15, incluindo projeto, construção e manutenção da via.

O pacote também prevê:

  • Construção de 8 quilômetros de acesso à cidade de Mariscal Estigarribia;
  • Melhorias em 27,3 quilômetros da estrada que conecta à zona industrial de Loma Plata, área estratégica para o escoamento da produção no Chaco paraguaio.

Condições do financiamento

De acordo com informações divulgadas pela imprensa local, o contrato estabelece prazo de amortização de 22 anos e meio, com oito anos de carência.

A taxa de juros será atrelada à SOFR (Secured Overnight Financing Rate), referência internacional utilizada em operações financeiras atreladas ao dólar.

Integração entre Atlântico e Pacífico

A Rota Bioceânica é considerada um dos principais projetos de infraestrutura da América do Sul. O corredor terá cerca de 2.400 quilômetros de extensão, conectando os oceanos Atlântico e Pacífico e atravessando Brasil, Paraguai, Argentina e Chile.

No Paraguai, o trajeto totalizará 532 quilômetros, ligando Carmelo Peralta, na fronteira com o Brasil, a Pozo Hondo, na divisa com a Argentina.

A expectativa é que o corredor logístico bioceânico reduza custos de transporte, fortaleça o comércio exterior e impulsione o desenvolvimento econômico regional.

Paraguai sediará reunião do BID em 2026

Além do novo empréstimo, o Paraguai foi escolhido para receber, entre 11 e 14 de março de 2026, as Reuniões dos Conselhos de Governadores do BID. O evento deve reunir representantes dos 48 países-membros da instituição, além de lideranças econômicas e integrantes do setor privado.

FONTE: Campo Grande News
TEXTO: Redação
IMAGEM: Toninho Ruiz

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Comércio

ALADI avança na eliminação de barreiras ao comércio de cosméticos na América Latina

A ALADI deu um passo decisivo para fortalecer o comércio intrarregional de cosméticos ao concluir, em Montevidéu, a revisão legal de um acordo voltado à eliminação de barreiras técnicas que dificultam o intercâmbio no setor. O encerramento dessa etapa formaliza o texto e abre caminho para sua assinatura e incorporação às legislações nacionais.

Próxima etapa: assinatura e adoção nacional

Com a revisão jurídica finalizada na sede da Associação Latino-Americana de Integração, o acordo segue agora para a fase de assinatura pelos países membros. Em seguida, o texto deverá ser internalizado nos marcos regulatórios de cada país, movimento considerado essencial para reduzir insegurança regulatória e aumentar a previsibilidade no comércio regional de produtos cosméticos.

Barreiras técnicas travam o comércio intrarregional

O foco do acordo é enfrentar um dos principais entraves ao comércio exterior de cosméticos na região: as barreiras não tarifárias. Entre elas estão diferenças em requisitos regulatórios, normas de rotulagem, avaliações de conformidade e procedimentos administrativos, fatores que elevam custos e tornam as operações mais lentas e complexas.

Em um mercado regional estimado em mais de US$ 55 bilhões, essas divergências impactam diretamente a logística internacional, gerando atrasos no despacho aduaneiro, aumento de despesas operacionais e maior complexidade para exportadores, importadores e operadores logísticos.

Setor estratégico para a integração regional

O setor cosmético ocupa posição de destaque no comércio latino-americano, tanto pelo volume movimentado quanto pela diversidade de produtos e cadeias produtivas distribuídas entre vários países. Ainda assim, o avanço do comércio intrarregional tem sido limitado pela existência de normas técnicas heterogêneas, que obrigam as empresas a cumprir múltiplas exigências para acessar diferentes mercados.

Harmonização regulatória e ganhos logísticos

O acordo busca reduzir essas limitações por meio da harmonização de requisitos, do reconhecimento mútuo de procedimentos e da eliminação de exigências redundantes. A meta é criar condições mais homogêneas para o comércio de cosméticos na América Latina, facilitando a circulação de mercadorias.

Além do impacto regulatório, a iniciativa traz reflexos diretos para a logística regional. A diminuição de obstáculos técnicos tende a resultar em processos aduaneiros mais ágeis, menos inspeções repetidas e redução no tempo de liberação de cargas, aumentando a eficiência das operações.

Negociação técnica e cooperação regional

A revisão legal foi concluída após um processo de negociação técnica, que incluiu encontros presenciais em Montevidéu com delegações dos países membros. Nessas reuniões, foram discutidos aspectos relacionados às regulamentações técnicas e aos mecanismos de controle aplicáveis ao setor cosmético.

FONTE: Todo Logistica News
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Todo Logistica News

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Logística

Argentina avalia rota ferroviária bioceânica para acesso a portos do Chile

O governo da Argentina iniciou tratativas para avançar na criação de uma rota ferroviária bioceânica com destino aos portos do Chile, com o objetivo de garantir uma saída logística direta ao Oceano Pacífico. A iniciativa é considerada estratégica para ampliar a competitividade do comércio exterior argentino e fortalecer a integração regional.

Investimento bilionário e corredor entre Argentina e Chile

O projeto prevê um investimento estimado em cerca de US$ 4 bilhões e propõe a implantação de um corredor ferroviário internacional, conectando regiões produtivas argentinas aos terminais portuários chilenos. A proposta está baseada na recuperação de trechos das linhas San Martín e Sarmiento, segundo informações divulgadas pela imprensa local.

O traçado em estudo ligaria a província de San Juan ao sul de Mendoza, criando um novo eixo de transporte de cargas entre os dois países.

Passo Planchón–Vergara é apontado como rota estratégica

O cruzamento da Cordilheira dos Andes deve ocorrer pelo passo Planchón–Vergara, nas proximidades da cidade de Curicó, na Região do Maule, no Chile. A escolha se deve às condições climáticas mais estáveis e à maior operabilidade durante o inverno, quando comparada a outros passos internacionais.

Conexão com Vaca Muerta amplia alcance logístico

Do lado argentino, o plano também contempla a construção de um ramal ferroviário entre General Alvear (Mendoza) e Vaca Muerta, em Neuquén. A ligação permitiria o transporte de recursos energéticos e produtivos para diferentes polos industriais, ampliando a eficiência da logística regional.

Desafios incluem infraestrutura e financiamento

Apesar do respaldo político, o projeto enfrenta obstáculos relevantes. Entre os principais desafios estão a reconstrução de vias férreas, a atualização dos padrões técnicos e a adaptação às exigências atuais do transporte ferroviário de cargas.

Para viabilizar a iniciativa, o governo avalia modelos de parceria público-privada (PPP) e sistemas de concessão, alternativas consideradas essenciais para garantir o financiamento do corredor.

Integração logística e ganho de competitividade

O corredor ferroviário bioceânico é visto como uma alternativa estratégica para reduzir custos logísticos, diversificar rotas de exportação e aproximar a Argentina dos mercados asiáticos, por meio dos portos chilenos do Pacífico.

FONTE: Todo Logistica News
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Todo Logistica News

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Comércio Internacional

BRICS e América do Sul: Argentina, Paraguai e Uruguai avaliam aproximação, mas sem adesão formal

A possibilidade de aproximação entre países do Mercosul e o BRICS voltou ao centro do debate na América do Sul, em um contexto marcado por incertezas econômicas globais, negociações comerciais em andamento e esforços regionais para ampliar exportações e atrair investimentos. Argentina, Paraguai e Uruguai aparecem com frequência em análises sobre o tema, mas, até o momento, não há sinalização conjunta, pública ou formal de adesão ao bloco.

Apesar do espaço crescente que o assunto ocupa no debate político e diplomático, os registros oficiais apontam para um cenário mais fragmentado, com movimentos distintos e cautelosos por parte de cada país.

Expansão do BRICS e criação da categoria de país parceiro

Criado inicialmente por Brasil, Rússia, Índia e China, o BRICS incorporou a África do Sul em 2011 e, desde então, ampliou sua relevância como fórum de coordenação política e econômica entre países emergentes. O grupo ganhou novo impulso com a decisão de expansão anunciada na cúpula de 2023.

Em 2024, os líderes do bloco aprovaram mudanças institucionais e criaram a categoria de “país parceiro”, que permite participação em reuniões e debates, mas sem direito a deliberação, prerrogativa reservada aos membros plenos. Em janeiro de 2025, o governo brasileiro anunciou os primeiros países parceiros, inaugurando oficialmente o novo modelo. No mesmo ano, o Vietnã também passou a integrar essa categoria, sinalizando que o mecanismo segue ativo.

Argentina: convite formal e recusa registrada

No caso da Argentina, as informações confirmadas caminham em sentido contrário à hipótese de ingresso iminente. Em agosto de 2023, o país foi convidado a se tornar membro pleno do BRICS, com adesão prevista para janeiro de 2024.

No entanto, já sob o governo de Javier Milei, Buenos Aires enviou carta oficial aos líderes do bloco comunicando a decisão de não ingressar no grupo. O posicionamento foi tornado público no fim de dezembro de 2023.

A recusa formal não impede a manutenção de relações comerciais ou políticas com países do BRICS, nem a participação em fóruns paralelos. Ainda assim, o gesto institucional registrado foi de não adesão, o que diferencia o interesse econômico em ampliar comércio de um movimento político formal para integrar o bloco.

Uruguai e Paraguai mantêm diálogo, sem pedido de adesão

A movimentação do Uruguai tem se concentrado mais no diálogo do que em um processo estruturado de adesão. Em março de 2025, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva convidou Uruguai, Colômbia e México para participar de um encontro vinculado à cúpula do BRICS realizada no Brasil.

Analistas interpretaram o convite como um sinal de abertura para ampliar a interlocução com países latino-americanos, mas não como um convite formal para ingresso no bloco, seja como membro pleno ou país parceiro.

Em relação ao Paraguai, há registros de declarações diplomáticas que mencionam “interesse” no BRICS. No entanto, não existe anúncio oficial de pedido de adesão nem inclusão do país nas listas divulgadas formalmente pelo bloco. Até aqui, a aproximação se restringe a conversas políticas e cooperação econômica pontual.

Mercosul, acordo com a União Europeia e diversificação de parcerias

O debate sobre novas alianças ocorre em paralelo às negociações internacionais do Mercosul. O acordo entre Mercosul e União Europeia teve suas negociações concluídas em dezembro de 2024, segundo comunicados oficiais do governo brasileiro.

Apesar disso, o processo enfrenta entraves no continente europeu. Em janeiro de 2026, o Parlamento Europeu decidiu encaminhar o texto ao Tribunal de Justiça da União Europeia para avaliação jurídica, o que pode postergar a votação final. Autoridades brasileiras defendem que a tramitação interna no Brasil pode ajudar a acelerar etapas, mas ainda não há prazo definido.

Esse cenário reforça a estratégia regional de diversificação de mercados, reduzindo a dependência histórica de parceiros tradicionais como Estados Unidos e Europa, especialmente em um ambiente econômico global mais volátil.

Investimentos, exportações e limites das informações disponíveis

A ideia de que uma maior aproximação com o BRICS poderia impulsionar exportações e atrair investimentos aparece associada a setores estratégicos da América do Sul, como agronegócio, energia e infraestrutura. No entanto, não há dados oficiais, projetos anunciados ou compromissos firmes que sustentem a expectativa de “investimentos bilionários” envolvendo especificamente Argentina, Paraguai e Uruguai no âmbito do bloco.

Indicadores de comércio regional, como os dados brasileiros sobre fluxo comercial com o Paraguai, ajudam a explicar por que Assunção é vista como parceira estratégica. Ainda assim, essas estatísticas não confirmam a existência de negociações formais para entrada paraguaia no BRICS.

O mesmo vale para a narrativa de rompimento com Estados Unidos e Europa. Há, de fato, uma tendência histórica de diversificação da política externa sul-americana, mas atribuir esse objetivo a decisões concretas de adesão ao BRICS exige declarações oficiais que, até agora, não existem.

Cenário aponta cautela e aproximações graduais

No estágio atual, o quadro mais fiel é o de uma região que busca ampliar sua margem de manobra internacional. O Mercosul acelera acordos comerciais, enquanto o BRICS adota formatos mais flexíveis, como o de país parceiro, que funcionam como pontes para novos diálogos.

A questão central permanece em aberto: se e quando Argentina, Paraguai ou Uruguai transformarão sinais de interesse econômico em um movimento institucional concreto, com pedido formal e negociação política dentro do bloco.

FONTE: Click Petróleo e Gás
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CPG

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Logística

Paraguai e Japão firmam acordo de US$ 243 milhões para corredor logístico estratégico no sul do país

O Paraguai e o Japão fecharam um acordo de US$ 243 milhões para viabilizar o corredor de integração do sudoeste, um projeto de infraestrutura que vai além da construção de uma estrada. A iniciativa representa uma transformação estrutural na logística paraguaia, ao integrar regiões produtivas do sul do país ao Brasil, aos portos do Atlântico e às principais rotas de exportação internacional.

O corredor terá mais de 150 quilômetros de obras, incluindo rodovias pavimentadas, travessias urbanas, pontes e sistemas logísticos, conectando os departamentos de Ñeembucú e Misiones a mercados externos. O acordo marca a convergência entre infraestrutura, economia e geopolítica.

Corredor integra regiões historicamente isoladas

O projeto se concentra no sul do Paraguai, área tradicionalmente considerada periférica do ponto de vista logístico. Atualmente, a produção de soja, arroz, madeira e carne depende de estradas precárias, longos desvios e altos custos de transporte, fatores que reduzem a competitividade do agronegócio e desestimulam novos investimentos.

Com o novo corredor logístico do sudoeste, esse cenário começa a mudar. O eixo rodoviário vai ligar Ñeembucú a Misiones, passando por localidades como Jabebyry, Laureles, Desmochados, Villa Oliva, Serrito e chegando a Pilar, transformando uma área marginalizada em um corredor estruturado de desenvolvimento.

De estrada regional a rota internacional de exportação

O impacto inicial será visível na infraestrutura: asfalto novo, traçados mais diretos e redução de trechos não pavimentados. Isso permitirá menor tempo de viagem, redução de custos logísticos e maior previsibilidade para produtores e empresas.

A relevância do projeto, no entanto, ultrapassa as fronteiras nacionais. A partir de Pilar, as cargas seguem até a fronteira com o Brasil, acessam a malha rodoviária brasileira pela Ponte da Integração e chegam a portos do Atlântico, como Paranaguá e Santos. Essa conexão transforma o corredor em uma rota internacional de exportação.

Na prática, produtos agrícolas do sul paraguaio poderão alcançar mercados da Ásia, Europa e Oriente Médio com maior eficiência logística.

Infraestrutura planejada para longo prazo

O investimento japonês não se limita à pavimentação. O projeto foi concebido como um sistema logístico completo, preparado para décadas de operação intensa. Estão previstas:

  • Quatro novas pontes, incluindo uma estrutura de 400 metros sobre o rio Tebicuary
  • Obras extensas de drenagem
  • Recuperação de estruturas antigas
  • Contornos urbanos para desviar o tráfego pesado dos centros das cidades
  • Áreas de fiscalização, paradas de ônibus e balanças de controle de carga

A implantação de pedágios está prevista para garantir manutenção contínua e gestão eficiente do fluxo de veículos.

Conexão com o Brasil e impacto geopolítico

O acordo com o Japão ocorre em paralelo ao avanço do corredor bioceânico, no oeste do país, que liga Brasil, Paraguai, Argentina e Chile aos portos do Pacífico. Com isso, o Paraguai passa a se posicionar de forma estratégica:

  • Ao sul e sudeste, conectado aos portos atlânticos brasileiros
  • Ao oeste, integrado ao Pacífico

Embora seja historicamente classificado como país sem litoral, o Paraguai passa a atuar como ponte logística entre dois oceanos, ganhando relevância geopolítica em um cenário no qual rotas de transporte têm peso crescente nas relações internacionais.

Impactos sociais e desenvolvimento regional

Os benefícios do corredor vão além do agronegócio. Comunidades hoje isoladas terão acesso mais rápido a serviços de saúde, educação, comércio e infraestrutura pública. O sul do país deixa de ser um ponto final e passa a integrar um eixo de circulação econômica.

Para investidores, o projeto reduz riscos ao oferecer melhor acesso, logística eficiente e maior capacidade de escoamento da produção. Para a população local, significa mais oportunidades, empregos e integração com o restante do país.

Cronograma e efeitos de longo prazo

De acordo com o planejamento divulgado, os projetos executivos e os processos de licitação devem avançar nos próximos anos. O início das obras principais está previsto para 2027, com conclusão estimada entre 2030 e 2031.

Embora a transformação física seja gradual, o impacto estratégico já começou. Com o acordo firmado, produtores, transportadoras e investidores passam a incluir o corredor em seus planos de médio e longo prazo.

Paraguai assume novo papel na logística sul-americana

Com energia competitiva, localização central na América do Sul e investimentos crescentes em infraestrutura, o Paraguai avança para deixar de ser apenas uma rota informal de passagem. O acordo com o Japão sinaliza a consolidação do país como corredor logístico estruturado, conectando o interior do continente aos principais mercados globais.

FONTE: Click Petróleo e Gás
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CPG

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Comércio Internacional

Brasil e Caribe: uma parceria estratégica ainda pouco explorada no comércio internacional

O cenário econômico global passa por uma reorganização silenciosa, marcada pela busca por cadeias produtivas mais resilientes, redução de riscos geopolíticos e fortalecimento de polos regionais. Nesse contexto, o Caribe deixa de ser visto apenas como destino turístico e passa a ganhar relevância como espaço estratégico para integração produtiva e logística — um movimento que abre oportunidades concretas para o Brasil.

Caribe ganha protagonismo nas cadeias globais

A República Dominicana desponta como um dos principais polos de nearshoring do hemisfério ocidental. O país consolidou um modelo baseado em zonas francas modernas, com forte presença nos setores de dispositivos médicos, tecnologia, manufaturas avançadas e bens de maior valor agregado.

Esse avanço é sustentado por fatores estruturais: estabilidade macroeconômica, segurança jurídica, ambiente regulatório previsível, além de acordos comerciais que garantem acesso preferencial aos mercados dos Estados Unidos e da União Europeia. Soma-se a isso uma localização geográfica estratégica, que favorece a logística regional e intercontinental.

Potencial ainda subaproveitado na relação Brasil–Caribe

Apesar desse cenário favorável, o intercâmbio comercial entre Brasil e Caribe permanece abaixo do seu potencial. Para uma economia como a brasileira — que busca diversificação de mercados, ampliação de cadeias globais de valor e maior inserção internacional —, a região caribenha representa um vetor natural de expansão.

O Caribe pode funcionar como plataforma logística e produtiva, reduzindo custos, encurtando distâncias comerciais e facilitando o acesso a mercados estratégicos do Atlântico Norte.

Complementaridade econômica favorece integração

A relação entre Brasil e Caribe é marcada por uma clara complementaridade produtiva. O Brasil oferece exatamente os insumos e soluções que a região demanda: proteínas animais, equipamentos industriais, energias renováveis, tecnologia agrícola adaptada a climas tropicais, além de expertise em infraestrutura e engenharia.

Essa convergência cria um ambiente favorável para parcerias industriais, investimentos conjuntos e cadeias produtivas integradas, com ganhos mútuos de competitividade.

Cooperação e diálogo como motores do avanço

Para transformar potencial em resultados concretos, especialistas apontam a importância de fortalecer o diálogo empresarial, ampliar mesas público-privadas e estimular mecanismos de cooperação bilateral e regional. Mais do que identificar lacunas, o momento exige coordenação estratégica e visão de longo prazo.

Incluir o Caribe de forma estruturada na estratégia de diversificação comercial do Brasil não é uma escolha ideológica, mas uma decisão econômica racional, baseada em demanda crescente, estabilidade institucional e conectividade com grandes mercados globais.

Um passo estratégico para o futuro

A oportunidade está dada. Transformar essa convergência em política de Estado — tanto para o Brasil quanto para seus parceiros caribenhos — pode elevar a relação bilateral a um novo patamar, com impactos positivos sobre competitividade, investimentos e integração produtiva.

FONTE: Jota
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pexels

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Internacional

MERCOSUL busca modernização e aguarda definições da União Europeia

Com as Cataratas do Iguaçu como cenário, os chefes de Estado dos países membros do MERCOSUL se reuniram em 20 de dezembro de 2025, em Foz do Iguaçu (Brasil), para a LXVII Cúpula de Presidentes do bloco. O encontro ocorreu em um contexto internacional marcado por tensões geopolíticas, mudanças nas cadeias globais de suprimentos e disputa crescente por investimentos estratégicos.

Participaram da reunião os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (Brasil), Javier Milei (Argentina), Santiago Peña (Paraguai), Yamandú Orsi (Uruguai), além do chanceler Fernando Hugo Aramayo Carrasco, representando a Bolívia. O objetivo central foi demonstrar coesão política e projetar uma agenda de futuro para a integração sul-americana.

Bloco defende previsibilidade com mais flexibilidade comercial

As delegações classificaram o diálogo como positivo e construtivo. Na avaliação dos mandatários, o MERCOSUL precisa combinar previsibilidade institucional com maior flexibilidade comercial para ampliar sua inserção internacional, especialmente diante do avanço desigual dos grandes acordos comerciais globais.

A presença do presidente do Panamá, José Raúl Mulino, na condição de Estado Associado, reforçou a estratégia de aproximação com a América Central e o Caribe, regiões que ganham relevância nas rotas logísticas e comerciais do continente.

Revisão tarifária e fortalecimento industrial

Entre os principais temas debatidos esteve a revisão do Arancel Externo Comum, apontado como essencial para elevar a competitividade do MERCOSUL e reduzir distorções internas. Os presidentes destacaram a necessidade de avaliar sua dispersão e coerência diante das transformações do comércio internacional.

No campo industrial, ganhou destaque o avanço dos trabalhos do Comitê Automotivo do MERCOSUL, que busca harmonizar regras comerciais e consolidar um mercado automotivo regional mais integrado, capaz de atrair investimentos de forma equilibrada entre os países.

Também foi celebrada a conclusão dos termos de referência para um estudo regional do setor sucroalcooleiro, com foco no fortalecimento das cadeias produtivas, aumento da competitividade e ampliação do acesso a mercados externos.

Integração regulatória e transformação digital

A cúpula sinalizou avanços na modernização regulatória, com iniciativas voltadas à harmonização técnica e à redução de barreiras não tarifárias. Entre os temas discutidos estiveram o etiquetamento de alimentos embalados e o início dos debates para unificar o rotulagem nutricional frontal no âmbito regional.

Os líderes também destacaram o progresso do Grupo Ad Hoc sobre Assuntos Regulatórios, responsável pela elaboração da Guia de Análise de Impacto Regulatório (AIR) do MERCOSUL, ferramenta que busca aprimorar a qualidade normativa, ampliar a transparência e facilitar a integração econômica.

Na área digital, foi reafirmada a importância estratégica da agenda de transformação digital do MERCOSUL, com destaque para a plena operação do Certificado de Origem Digital (COD) no comércio intrabloco, considerado um marco na facilitação do comércio entre Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai.

Energia, sustentabilidade e logística regional

A integração energética teve papel central nos debates. Os presidentes celebraram os avanços rumo à criação de um mercado regional de gás natural e ao fortalecimento da cooperação em biocombustíveis, energias renováveis e minerais estratégicos, em linha com a transição para uma economia de baixo carbono.

No campo logístico, houve consenso sobre a necessidade de desenvolver corredores bioceânicos e soluções intermodais capazes de reduzir custos de transporte e atrair investimentos.

A Hidrovia Paraguai–Paraná foi destacada como eixo fundamental de conectividade regional. Os países reafirmaram o compromisso com o funcionamento pleno dos órgãos previstos no Convênio de Santa Cruz de la Sierra, visando garantir navegação segura, transporte eficiente da produção e acesso competitivo aos mercados internacionais.

Acordos comerciais e relação com a União Europeia

No plano externo, os líderes comemoraram a assinatura do Acordo de Livre Comércio entre o MERCOSUL e a AELC, além dos avanços nas negociações com Emirados Árabes Unidos, Canadá, Índia e Japão, reforçando o interesse em ampliar laços com economias asiáticas emergentes.

Por outro lado, manifestaram frustração com a falta de consenso político que impediu a assinatura do Acordo MERCOSUL–União Europeia, após 26 anos de negociações. Ainda assim, demonstraram confiança na retomada do processo no futuro.

Compromisso com o multilateralismo

O encontro foi encerrado com a reafirmação do compromisso do MERCOSUL com o multilateralismo, o comércio baseado em regras claras e a ambição de consolidar o bloco como um ator global moderno, competitivo e relevante.

FONTE: Ser Industria
TEXTO: Redação
IMAGEM: Ricardo Stuckert / PR

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Comércio Internacional

Flexibilização do Mercosul se impõe diante de novo cenário do comércio internacional

A sucessão de iniciativas tomadas de forma isolada por países do Mercosul reforça a necessidade de atualizar o funcionamento do bloco. O ingresso do Uruguai na Parceria Transpacífica e o acordo comercial firmado entre Argentina e Estados Unidos, ambos fora da estrutura do Mercosul, evidenciam um modelo que já não acompanha a dinâmica do comércio internacional.

No caso argentino, cerca de 350 produtos passaram a integrar um programa de isenção tarifária com os Estados Unidos, sem extensão aos demais membros do bloco. Já o Uruguai ampliou seu acesso a mercados asiáticos ao aderir a uma aliança comercial mais flexível. São movimentos que, na prática, enfraquecem a lógica de decisões conjuntas que marcou a criação do Mercosul.

Importância histórica do bloco segue inquestionável

Criado em 1991, com o Tratado de Assunção, o Mercosul teve papel relevante na integração econômica e política entre Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. Ao longo das últimas décadas, o bloco estimulou o comércio regional, reduziu tarifas e fortaleceu cadeias produtivas compartilhadas.

Em 2024, o Brasil exportou mais de US$ 20 bilhões para os países do Mercosul. Santa Catarina, por sua vez, embarcou US$ 1,4 bilhão, com destaque para alimentos, máquinas, têxteis, metais e produtos químicos. Os números demonstram que a integração trouxe ganhos concretos para as economias envolvidas.

Rigidez da Tarifa Externa Comum vira entrave

Apesar dos avanços, o modelo baseado em decisões por consenso e na rigidez da Tarifa Externa Comum (TEC) passou a limitar a capacidade de adaptação do bloco. O prolongado processo de negociação do acordo Mercosul–União Europeia, em discussão há mais de duas décadas, é um exemplo claro das dificuldades impostas pelo atual formato.

Com a expectativa de que o tratado com os europeus finalmente seja assinado, ampliando o acesso a mercados estratégicos, cresce a pressão por uma modernização do Mercosul que torne o bloco mais ágil e competitivo.

Flexibilizar é modernizar, não enfraquecer

A flexibilização do Mercosul não significa abrir mão da integração regional, mas sim adaptá-la à realidade atual. Permitir que os países-membros celebrem acordos bilaterais específicos, válidos apenas para seus signatários, preservaria o espírito do bloco e, ao mesmo tempo, destravaria oportunidades comerciais urgentes.

Blocos mais abertos dominam o cenário global

O comércio global caminha para arranjos mais flexíveis e dinâmicos, capazes de responder rapidamente às mudanças nos fluxos econômicos. Manter um modelo excessivamente rígido tende a limitar o potencial de crescimento.

Para Santa Catarina e para o Brasil, avançar na atualização das regras do Mercosul é essencial para garantir competitividade, ampliar mercados e evitar que o bloco se torne um fator de freio, em vez de impulsionador, do desenvolvimento econômico.

FONTE: FIESC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Filipe Scotti

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Internacional

Brasil e Colômbia suspendem denúncia de acordo automotivo e mantêm integração produtiva

Os governos do Brasil e da Colômbia decidiram suspender, por um período de um ano, os efeitos da denúncia do Entendimento Automotivo Bilateral, firmado no âmbito do Acordo de Complementação Econômica nº 72 (ACE-72). A medida foi oficializada junto à Associação Latino-Americana de Integração (ALADI) e garante a continuidade da cooperação entre os dois países no setor automotivo.

Decisão reforça cooperação entre os países

A suspensão havia sido acordada pelos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Gustavo Petro durante encontro realizado em Manaus, em 9 de setembro, à margem da inauguração do Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia (CCPI Amazônia). Na ocasião, os líderes reafirmaram o compromisso de preservar a integração produtiva e fortalecer as cadeias regionais de valor na indústria automotiva latino-americana.

Acordo formalizado na ALADI

O documento de suspensão foi oficialmente depositado na ALADI no dia 7 de novembro de 2025, confirmando o entendimento entre os dois governos. A decisão assegura a manutenção das preferências tarifárias e dos mecanismos de cooperação industrial e aduaneira previstos no acordo original.

Próximos passos para um novo entendimento

Durante o período de suspensão, Brasil e Colômbia deverão negociar um novo acordo automotivo, que reflita as inovações tecnológicas e as novas políticas industriais adotadas por ambos os países.

Integração e competitividade regional

A medida reforça a integração produtiva, estimula a competitividade industrial e promove investimentos, inovação e sustentabilidade na região. A decisão também destaca o papel estratégico do diálogo diplomático e da cooperação econômica regional, além de reafirmar a importância da ALADI como fórum de integração latino-americana.

FONTE: MDIC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Sustentabilidade

Brasil lança Aliança pelo Transporte Sustentável na Amazônia durante a COP30

O Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) anunciou, durante a COP30, a criação da Aliança pelo Transporte Sustentável, Resiliente e Integrado na Amazônia. A iniciativa inédita reúne países amazônicos, o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o Banco Mundial em uma ação conjunta voltada a descarbonizar o transporte, fortalecer a integração regional e alinhar a infraestrutura amazônica à agenda climática global.

Além do Brasil, participam da Aliança Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Peru e Suriname. O país será representado pelos ministérios de Portos e Aeroportos e dos Transportes, reafirmando o compromisso brasileiro com o desenvolvimento sustentável e a integração da região amazônica.

“A iniciativa coloca o bioma amazônico no centro da ação climática global, unindo eficiência, sustentabilidade e resiliência”, afirmou o ministro Silvio Costa Filho.

Transporte fluvial como eixo de integração

O secretário nacional de Hidrovias e Navegação, Otto Luiz Burlier da Silveira Filho, destacou o papel estratégico da nova Aliança. Segundo ele, o projeto fortalece o transporte fluvial como principal eixo de integração regional e instrumento de inclusão social.

“Ao lado do BID, do Banco Mundial e dos países amazônicos, o Brasil reafirma seu compromisso com um modelo de transporte mais eficiente e alinhado aos compromissos climáticos”, ressaltou.

A proposta responde a desafios históricos da Amazônia, como baixa conectividade, infraestrutura precária, eventos climáticos extremos e altos custos logísticos. A meta é transformar o transporte regional em vetor de desenvolvimento sustentável, combinando inovação tecnológica, eficiência logística e preservação ambiental.

Quatro eixos estratégicos para o futuro da Amazônia

A atuação da Aliança será orientada por quatro eixos estratégicos. O primeiro visa ampliar a conectividade e o acesso a serviços básicos em comunidades isoladas, promovendo inclusão e mobilidade para populações que dependem do transporte fluvial.

O segundo eixo trata da logística multimodal sustentável, fortalecendo corredores e cadeias logísticas e estimulando a bioeconomia e o transporte hidroviário.

O terceiro prevê a implementação de infraestrutura verde, baseada em soluções inspiradas na natureza para reduzir impactos socioambientais e aumentar a resiliência às mudanças climáticas.

Por fim, o quarto eixo foca na modernização do transporte fluvial, com ações voltadas à melhoria dos serviços de passageiros e cargas em áreas urbanas e ribeirinhas, garantindo segurança, eficiência e inclusão social.

Plano de Ação Regional 2026–2030

Como desdobramento do acordo, os países e instituições parceiras irão elaborar o Plano de Ação Regional 2026–2030, que definirá metas e investimentos para transformar o transporte na Amazônia em um modelo sustentável e multimodal. O plano será articulado com programas internacionais já existentes, como o Amazônia Sempre e o Conexión Sur, do BID, e o Amazônia Viva, do Banco Mundial.

Também está prevista a criação de um Comitê Regional para a Transformação da Infraestrutura de Transporte Amazônica, responsável por coordenar e acompanhar a execução das ações, garantindo o alinhamento com os compromissos climáticos globais e a agenda de descarbonização do setor.

Amazônia como referência global em transporte sustentável

O lançamento da Aliança durante a COP30 reforça o protagonismo da Amazônia na agenda climática internacional, posicionando a região como referência em soluções logísticas de baixo carbono e integração regional. A iniciativa destaca o papel do Brasil como articulador de políticas públicas que unem desenvolvimento econômico, preservação ambiental e inclusão social.

FONTE: Agência Gov
TEXTO: Redação
IMAGEM: Jonilton Lima

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