Economia

Economia brasileira cresce 2,3% em 2025, aponta IBGE

A economia brasileira encerrou 2025 com crescimento de 2,3%, consolidando o quinto ano consecutivo de expansão. No quarto trimestre, o avanço foi de 0,1% frente ao período imediatamente anterior.

Os dados do Produto Interno Bruto (PIB) foram divulgados nesta terça-feira (3) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

Em valores correntes, o PIB brasileiro atingiu R$ 12,7 trilhões no ano passado. O PIB per capita chegou a R$ 59.687, com alta real de 1,9% em relação a 2024. Segundo o instituto, tanto o resultado total quanto o valor por habitante são os maiores da série histórica iniciada em 1996.

Cinco anos seguidos de alta

O desempenho mantém uma sequência de crescimento iniciada em 2021:

  • 2021: 4,8%
  • 2022: 3%
  • 2023: 3,2%
  • 2024: 3,4%
  • 2025: 2,3%

Apesar da desaceleração frente aos anos anteriores, o país permaneceu em trajetória positiva.

Agropecuária lidera expansão do PIB

Pela ótica da produção, todos os grandes setores da economia registraram crescimento em 2025.

  • Agropecuária: 11,7%
  • Serviços: 1,8%
  • Indústria: 1,4%

O principal destaque foi a agropecuária, impulsionada por ganhos de produtividade e recordes de produção, especialmente de milho (23,6%) e soja (14,6%). O setor respondeu por 32,8% da alta do PIB no ano.

Na indústria, a extração de petróleo e gás sustentou o avanço das indústrias extrativas, que cresceram 8,6%. A construção apresentou estabilidade, com leve alta de 0,5%.

O setor de serviços também avançou em todas as atividades pesquisadas, com ênfase para informação e comunicação (6,5%) e atividades financeiras (2,9%).

Segundo o IBGE, agropecuária, indústria extrativa, outras atividades de serviços e informação e comunicação concentraram 72% da expansão econômica em 2025.

Consumo das famílias desacelera

Pela ótica da demanda, o consumo das famílias subiu 1,3% em 2025, resultado associado à melhora do mercado de trabalho, maior oferta de crédito e programas de transferência de renda. Ainda assim, houve desaceleração frente ao crescimento de 5,1% registrado em 2024.

O IBGE atribui a perda de fôlego à política monetária contracionista, marcada por juros elevados.

O consumo do governo cresceu 2,1% no ano, enquanto a Formação Bruta de Capital Fixo (investimentos) avançou 2,9%, puxada por importações de máquinas e equipamentos, desenvolvimento de softwares e desempenho da construção.

A taxa de investimento ficou em 16,8% do PIB, levemente abaixo dos 16,9% de 2024. Já a taxa de poupança subiu para 14,4%.

Desempenho no quarto trimestre

Entre outubro e dezembro, o PIB variou 0,1% em relação ao trimestre anterior.

Pelo lado da produção:

  • Serviços: +0,8%
  • Agropecuária: +0,5%
  • Indústria: -0,7%

Na ótica da despesa:

  • Consumo do governo: +1%
  • Consumo das famílias: 0%
  • Investimentos: -3,5%

De acordo com a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis, a estabilidade do consumo das famílias e o aumento dos gastos públicos compensaram a queda nos investimentos.

Juros altos marcaram o ano

O cenário de desaceleração está relacionado ao ciclo de alta da taxa básica de juros. Em setembro de 2024, o Banco Central do Brasil iniciou um processo de elevação da taxa Selic, conduzido pelo Comitê de Política Monetária. A taxa passou de 10,5% ao ano para 15% em junho de 2025, permanecendo nesse patamar.

A meta oficial de inflação é de 3% ao ano, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo permaneceu por 13 meses fora desse intervalo, abrangendo praticamente todo o ano de 2025.

Juros elevados encarecem o crédito, reduzem investimentos e tendem a frear o consumo, contribuindo para o controle da inflação, mas com impacto sobre o ritmo da atividade econômica.

Apesar disso, o ano terminou com a menor taxa de desemprego da série histórica, também segundo o IBGE.

O que é o PIB

O Produto Interno Bruto representa a soma de todos os bens e serviços finais produzidos em um país em determinado período. O indicador permite avaliar o desempenho da economia e comparar resultados entre regiões e países.

O cálculo considera pesquisas setoriais de comércio, serviços e indústria, além dos impostos embutidos nos preços ao consumidor.

Embora seja um dos principais indicadores econômicos, o PIB não reflete aspectos como distribuição de renda ou qualidade de vida da população.

FONTE: Agência Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Modais em Foco

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Economia

Dólar sobe e petróleo dispara após ataque militar ao Irã

O dólar sobe e o petróleo dispara nesta segunda-feira (2), refletindo a tensão geopolítica após a ofensiva militar conduzida por Estados Unidos e Israel contra o Irã. O conflito, que resultou na morte de centenas de pessoas — entre elas o líder supremo iraniano, Ali Khamenei — intensificou a aversão ao risco nos mercados globais.

Por volta das 12h, o contrato futuro do petróleo Brent, referência internacional, era negociado próximo de US$ 79 o barril, com alta de cerca de 7,6%, na ICE Futures Europe, em Londres. Mais cedo, chegou a superar US$ 80, acumulando avanço de até 13%.

Já o WTI, negociado na New York Mercantile Exchange, era cotado pouco acima de US$ 71 o barril, com ganho aproximado de 6%.

No Brasil, as ações da Petrobras subiam cerca de 3,9% na B3, negociadas a R$ 44,39 no início da tarde.

Estreito de Ormuz concentra preocupação

Analistas apontam que a disparada do preço do petróleo está diretamente ligada à situação no Estreito de Ormuz, corredor marítimo estratégico ao sul do Irã.

Cerca de 20% da produção global de petróleo e gás passa pela região, que conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã. Países como Irã, Arábia Saudita e Iraque dependem da rota para exportar a commodity.

Segundo o economista Rodolpho Sartori, da Austin Rating, o fechamento do estreito reduz drasticamente a oferta global, o que provoca reação imediata nos preços. No sábado, relatos indicavam centenas de embarcações ancoradas, sem conseguir atravessar a passagem.

Enquanto persistirem os confrontos e houver restrição ao tráfego marítimo, a tendência é de manutenção de cotações elevadas, especialmente com possível redução dos estoques disponíveis.

Logística preocupa mais que produção

Para Otávio Oliveira, gerente de tesouraria do Banco Daycoval, o principal risco não está na capacidade de produção, mas na logística de transporte.

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+) anunciaram aumento de produção como forma de compensar eventuais perdas. Segundo o executivo, o cartel possui capacidade ociosa suficiente para suprir uma eventual retirada do Irã do mercado.

O gargalo, porém, está no escoamento. Uma interrupção no Estreito de Ormuz poderia desorganizar cadeias produtivas globais, afetando inclusive países exportadores de petróleo, como o Brasil, que ainda importam derivados.

Impacto na inflação e nos juros

O encarecimento do petróleo pode gerar pressão inflacionária. Sartori avalia que um conflito prolongado exigiria repasses ao consumidor, resultando em um novo impulso na inflação.

Esse cenário pode influenciar as decisões do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central do Brasil, que sinalizou a intenção de reduzir a taxa básica de juros na próxima reunião.

Atualmente, a Selic está em 15% ao ano. Diante das incertezas, o corte pode ser mais moderado — possivelmente de 0,25 ponto percentual, em vez de 0,50 p.p.

Dólar sobe com fuga do risco

A cotação do dólar hoje também reflete o aumento da aversão ao risco. Pouco depois das 12h, a moeda era negociada perto de R$ 5,20, alta próxima de 1%, interrompendo a trajetória recente de queda que levou a divisa ao menor nível em 21 meses.

Segundo Oliveira, o movimento é típico de “fuga para ativos seguros”, quando investidores retiram recursos de mercados emergentes e direcionam para moedas fortes, como o dólar e o iene japonês.

Sartori pondera, no entanto, que o comportamento da moeda americana tem sido mais complexo nos últimos anos, especialmente diante de incertezas políticas envolvendo o presidente Donald Trump. Para ele, é possível que o dólar oscile na faixa entre R$ 5,20 e R$ 5,25 nos primeiros dias de conflito, sem necessariamente apresentar valorização abrupta como em crises anteriores.

FONTE: Agência Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: © Valter Campanato/Agência Brasil

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Economia

Galípolo afirma que melhora da inflação não indica “volta da vitória”, diz presidente do Banco Central

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta segunda-feira (9) que a recente melhora nos indicadores de inflação no Brasil não deve ser interpretada como um sinal definitivo de vitória no combate aos preços. Em encontro com banqueiros, em São Paulo, o dirigente destacou que o momento exige cautela e foco na calibragem da política monetária.

Inflação mostra alívio, mas atividade segue resiliente

Segundo Galípolo, houve uma surpresa positiva no comportamento da inflação, mas a atividade econômica continua demonstrando resiliência, o que demanda prudência nas decisões do BC.

“Há um reconhecimento de que o cenário inflacionário está diferente, mas isso não significa uma volta da vitória. Estamos em um momento de ajuste fino”, afirmou durante evento promovido pela Associação Brasileira de Bancos (ABBC).

Cenário é melhor do que no início de 2025

O presidente do BC ressaltou que o ambiente inflacionário atual é mais favorável do que o observado no começo de 2025, quando as projeções do mercado para o IPCA se aproximavam de 6%, bem acima da meta de inflação.

“Tivemos um processo inflacionário que se acelerou, e agora chegamos a uma fase em que a palavra-chave é calibragem”, explicou.

Expectativas seguem desancoradas, alerta BC

Apesar da melhora nos indicadores, Galípolo destacou que a desancoragem das expectativas de inflação continua sendo um ponto de atenção para o Copom (Comitê de Política Monetária).

“Isso ainda incomoda bastante o Comitê. A ancoragem das expectativas é fundamental para a condução da política monetária”, afirmou.

Mercado aposta em início do corte da Selic

Atualmente, a taxa Selic está em 15% ao ano, e tanto o mercado quanto o próprio Banco Central indicam a possibilidade de início do ciclo de cortes de juros já na próxima reunião do Copom, prevista para março.

A sinalização, no entanto, reforça que eventuais ajustes dependerão da evolução da inflação, das expectativas e do comportamento da atividade econômica nos próximos meses.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Adriano Machado

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Economia

Dólar recua a R$ 5,18 e registra menor fechamento desde maio de 2024

O dólar comercial encerrou a segunda-feira (9) em forte queda e fechou abaixo de R$ 5,20, impulsionado por um ambiente externo mais favorável aos mercados emergentes, como o Brasil. O movimento ganhou força após a China reduzir a compra de títulos do Tesouro dos Estados Unidos (treasuries), o que enfraqueceu a moeda norte-americana no mercado global.

A divisa dos EUA caiu 0,59%, encerrando o dia cotada a R$ 5,1886, o menor valor desde 28 de maio de 2024. No acumulado de 2026, o dólar já registra desvalorização de 5,47% frente ao real.

Ibovespa sobe com apoio de grandes ações

No mercado acionário, o Ibovespa operou em alta, sustentado principalmente pelo desempenho positivo das blue chips. Ações de Petrobras, Vale, Itaú Unibanco e Bradesco lideraram os ganhos do índice.

Por outro lado, os papéis do BTG Pactual figuraram entre as maiores quedas do pregão, após a divulgação do balanço trimestral. Por volta das 17h18, o principal índice da B3 avançava 1,76%, aos 186.127,57 pontos.

Banco Central adota discurso de cautela

No cenário doméstico, investidores também repercutiram declarações do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, durante evento da Associação Brasileira de Bancos (ABBC), em São Paulo. Segundo ele, a recente melhora dos indicadores não representa uma “volta da vitória” contra a inflação.

Galípolo destacou que o foco da autoridade monetária, neste momento, está na calibragem da política monetária, sinalizando cautela nas próximas decisões.

Mais cedo, o Banco Central divulgou o Boletim Focus, que trouxe nova revisão para baixo na expectativa de inflação.

Boletim Focus reduz projeções de inflação

A mediana das projeções para o IPCA de 2026 caiu de 3,99% para 3,97%, permanecendo 0,53 ponto percentual abaixo do teto da meta, fixado em 4,50%. Há um mês, a estimativa era de 4,05%.

Entre as projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a expectativa subiu de 3,90% para 3,96%. Para 2027, a mediana seguiu estável em 3,80% pela 14ª semana consecutiva.

O IPCA de 2025 fechou em 4,26%, segundo o IBGE, resultado inferior tanto à última mediana do Focus (4,31%) quanto à estimativa do próprio Banco Central (4,4%).

Análise técnica aponta resistência no Ibovespa

De acordo com análise semanal do BB Investimentos, o Ibovespa mantém tendência de alta, mas apresenta sinais de perda de fôlego no curto prazo.

“O comportamento das últimas três semanas indica um padrão de esgotamento do movimento altista, com resistência em torno dos 187,5 mil pontos e suporte imediato na região dos 182 mil pontos”, destacou a instituição em relatório.

Exterior adiciona cautela aos mercados

No cenário internacional, a semana começou com viés negativo nos futuros das bolsas norte-americanas. Para a equipe da Ágora Investimentos, o ambiente externo pode trazer volatilidade adicional aos ativos brasileiros, com investidores à espera da divulgação de indicadores econômicos relevantes.

BTG Pactual divulga lucro recorde

O BTG Pactual anunciou lucro líquido ajustado de R$ 4,60 bilhões no quarto trimestre, alta de 40,3% em relação ao mesmo período do ano anterior. O resultado veio levemente acima da expectativa de analistas consultados pela LSEG, que projetavam R$ 4,56 bilhões.

A receita do maior banco de investimentos da América Latina cresceu 35,1%, alcançando o recorde de R$ 9,09 bilhões. O ROAE (retorno sobre o patrimônio) ficou em 27,6%, ante 23,0% um ano antes.

China reduz exposição a títulos dos EUA

No exterior, um dos principais vetores de impacto foi a decisão da China de orientar seus bancos a frear a compra de treasuries americanos. A medida busca reduzir riscos e evitar concentração excessiva em ativos dos Estados Unidos.

Atualmente, o país asiático detém cerca de US$ 850 bilhões em títulos da dívida norte-americana, sendo aproximadamente US$ 300 bilhões sob responsabilidade de bancos chineses. A mudança de postura reforça a reavaliação estratégica de Pequim no cenário financeiro global.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Amanda Perobelli

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Importação

Tarifas de importação ampliam riscos econômicos e causam efeitos mais profundos do que o previsto

As tarifas de importação, historicamente associadas à proteção da indústria nacional e ao ajuste da balança comercial, passaram a cumprir um papel mais amplo no cenário global. Hoje, esses instrumentos vêm sendo utilizados como ferramenta de pressão geopolítica, com potencial para enfraquecer rivais estratégicos, gerar incerteza econômica e até constranger aliados.

Nos últimos anos, esse uso ganhou contornos mais explícitos, como nas ameaças do governo Donald Trump de impor tarifas adicionais a países europeus para obter concessões estratégicas, sob o argumento de segurança econômica nacional.

Modelos econômicos tradicionais não capturam os efeitos reais

Grande parte das análises sobre tarifas ainda se apoia em modelos econômicos clássicos, que desconsideram uma característica central da economia atual: a existência de redes globais de produção e finanças altamente integradas.

Nesse contexto, as tarifas deixam de produzir impactos pontuais e temporários e passam a gerar efeitos mais duradouros, como inflação persistente, queda da produção, perdas de produtividade e repercussões internacionais amplificadas — inclusive no sistema financeiro.

Tarifas afetam demanda e oferta simultaneamente

Ao contrário do que sugerem abordagens tradicionais, as tarifas não atuam apenas como um choque de demanda, ao estimular o consumo de bens domésticos. Elas também provocam um choque de oferta, já que a produção interna depende fortemente de insumos intermediários importados.

Componentes industriais, energia, logística e serviços empresariais são adquiridos globalmente. Quando tarifas encarecem esses insumos, os custos marginais das empresas aumentam, pressionando preços e reduzindo a eficiência produtiva em diferentes setores.

Efeitos se espalham pelas cadeias produtivas

O aumento de custos não se limita aos setores diretamente afetados. Por meio das cadeias globais de valor, esses impactos se disseminam por toda a economia, atingindo inclusive áreas aparentemente menos expostas, como serviços e segmentos industriais a jusante.

O resultado é uma distorção não apenas no consumo, mas também nas decisões de investimento, na organização da produção e na alocação de recursos, com reflexos negativos sobre o crescimento econômico.

Inflação pode se tornar persistente

Outro efeito relevante é a rigidez de preços presente em diversos setores. Contratos de longo prazo, custos de reajuste e estratégias empresariais fazem com que aumentos de custos sejam repassados de forma lenta e gradual.

Em uma economia interligada, esse processo prolonga os efeitos inflacionários, fazendo com que o impacto das tarifas persista mesmo após sua retirada. Assim, choques temporários podem gerar inflação estrutural.

Dilema para a política monetária

Esse cenário altera o equilíbrio entre inflação e crescimento enfrentado pelos bancos centrais. Em vez de um aumento pontual de preços, a inflação passa a se comportar como um processo contínuo, exigindo uma política monetária restritiva por mais tempo.

A consequência pode ser um quadro de estagflação, caracterizado por inflação elevada combinada com queda da produção, mesmo quando as tarifas são temporárias.

Impactos no câmbio e nos mercados financeiros

As tarifas também influenciam a dinâmica financeira global. Em economias com mercados financeiros incompletos, variações cambiais refletem não apenas preços relativos, mas também transferências de riqueza provocadas pela política comercial.

Embora tarifas tendam a fortalecer a moeda do país que as impõe, a incerteza econômica associada a ameaças tarifárias pode produzir o efeito oposto. Nos Estados Unidos, por exemplo, o dólar se enfraqueceu após o início da guerra tarifária, refletindo ajustes antecipados de empresas e investidores.

Incerteza vira canal de transmissão econômica

Mesmo tarifas apenas anunciadas, mas não implementadas, podem causar efeitos relevantes. A antecipação de barreiras leva empresas e famílias a revisar planos de consumo, investimento e comércio, enquanto intermediários financeiros elevam prêmios de risco e poupança preventiva.

Esse movimento amplia a volatilidade e pode gerar perdas de produção e pressões deflacionárias antes mesmo da adoção efetiva das medidas.

Três lições sobre tarifas no mundo atual

A análise aponta três conclusões centrais:

  • Política comercial não pode ser dissociada das redes globais de produção, sob risco de subestimar perdas econômicas e inflação persistente;
  • Política monetária é decisiva, pois respostas passivas prolongam a inflação, enquanto apertos excessivos aprofundam recessões;
  • Em um mundo interconectado, tarifas são choques macroeconômicos globais, com efeitos que ultrapassam fronteiras, setores e horizontes de tempo.

Custos superam os benefícios esperados

À medida que governos recorrem às tarifas como instrumento de segurança econômica ou influência geopolítica, torna-se evidente que seus custos extrapolam os alvos iniciais. Em uma economia altamente integrada, tarifas e ameaças tarifárias funcionam como uma força desestabilizadora, capaz de gerar estagflação global se aplicadas sem considerar a complexidade da produção mundial.

FONTE: InfoMoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: Drew Angerer/Getty Images/Project Syndicate

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Economia

Selic mantida em 15% pressiona a economia e eleva custos, avalia CNI

A manutenção da taxa Selic em 15% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom) segue gerando forte preocupação no setor produtivo. Para a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o atual patamar dos juros impõe um custo elevado à economia, desestimula investimentos e aprofunda a desaceleração do crescimento econômico.

O presidente da CNI, Ricardo Alban, defende que o Banco Central deveria iniciar imediatamente um ciclo de flexibilização monetária. Segundo ele, a decisão ignora sinais consistentes de desaceleração da inflação e amplia os prejuízos à sociedade e à atividade produtiva.

Na avaliação da entidade, a postura cautelosa do Banco Central já não se justifica diante do cenário econômico atual. “Manter a Selic em um nível tão elevado prejudica a economia e compromete o crescimento. É fundamental que a redução dos juros comece já na próxima reunião do Copom”, afirma Alban.

Inflação mostra trajetória de convergência para a meta

Dados recentes reforçam o argumento da indústria. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) encerrou 2025 com alta de 4,26%, abaixo do teto da meta de inflação, fixado em 4,5%, e inferior ao resultado de 2024, que foi de 4,83%.

As expectativas inflacionárias também apresentam trajetória de convergência. De acordo com o Boletim Focus, o mercado projeta inflação de 4% em 2026, recuando para 3,8% em 2027 e 3,5% em 2028, aproximando-se do centro da meta, de 3%. As próprias projeções do Banco Central indicam inflação de 3,1% no horizonte relevante da política monetária, considerando um cenário de queda dos juros.

Juros reais muito acima do nível necessário

Com a Selic em 15%, o Brasil opera com juros reais estimados em 10,5% ao ano. Esse percentual está cerca de 5,5 pontos percentuais acima da taxa de juros neutra, estimada pelo Banco Central em 5% ao ano — nível que não estimula nem retrai a atividade econômica.

Segundo cálculos da CNI, uma taxa de juros em torno de 10,3% ao ano seria suficiente para controlar a inflação e, ao mesmo tempo, preservar o crescimento e o emprego. Isso significa que a Selic atual está aproximadamente 4,7 pontos percentuais acima do patamar considerado adequado.

Crédito caro trava investimentos e amplia o Custo Brasil

Os efeitos da Selic elevada são sentidos diretamente pelas empresas. Levantamento da CNI aponta que 80% das indústrias que enfrentaram dificuldades para contratar ou renovar crédito de curto e médio prazo indicam os juros altos como principal obstáculo. Entre aquelas com problemas no crédito de longo prazo, o percentual chega a 71%.

Além disso, um terço das empresas industriais relatou piora nas condições de financiamento nos últimos seis meses, incluindo taxas de juros mais altas, prazos menores, carência reduzida e maior exigência de garantias. Nesse contexto, a oferta de crédito perdeu ritmo: em 12 meses até novembro de 2025, as concessões cresceram apenas 3,7%, bem abaixo dos 10,7% registrados no período anterior.

O encarecimento do capital também agrava o chamado “Custo Brasil”, conjunto de entraves estruturais, burocráticos, financeiros e tributários que reduzem a competitividade da indústria nacional e dificultam a inserção dos produtos brasileiros no mercado internacional.

Crescimento econômico e confiança em queda

O cenário de juros elevados impacta diretamente as projeções econômicas. A CNI estima crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 1,8% em 2026, abaixo dos 2,5% previstos para 2025. Organismos internacionais, como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial, também revisaram suas estimativas, projetando expansão de 1,6% e 2%, respectivamente.

Outro reflexo é a perda de confiança do empresariado. O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) atingiu 48,5 pontos em janeiro de 2026, o pior resultado para o mês em uma década. Em uma escala de 0 a 100, valores abaixo de 50 indicam falta de confiança, o que reduz decisões de produção, contratação e investimento e pode comprometer a oferta futura da economia.

Fonte: Confederação Nacional da Indústria (CNI).

TEXTO: REDAÇÃO

IMAGEM: CNI / Gilberto Sousa

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Economia

Banco Central mantém Selic em 15% ao ano pela quinta reunião consecutiva

O Banco Central decidiu, mais uma vez, manter inalterada a taxa básica de juros da economia. Em reunião realizada nesta semana, o Comitê de Política Monetária (Copom) optou por unanimidade pela manutenção da Selic em 15% ao ano, decisão que já era amplamente aguardada pelo mercado financeiro.

Com o novo resultado, esta é a quinta reunião consecutiva em que os juros básicos permanecem no mesmo nível, o mais elevado desde julho de 2006, quando a taxa chegou a 15,25% ao ano.

Possível início do ciclo de cortes em março

No comunicado divulgado após a reunião, o Copom sinalizou a possibilidade de iniciar a redução da Selic a partir da próxima reunião, marcada para março, desde que o cenário econômico se mantenha favorável e a inflação continue sob controle.

Segundo o Banco Central, a flexibilização da política monetária dependerá da confirmação das projeções atuais, mantendo-se, ainda assim, uma postura cautelosa para garantir a convergência da inflação à meta estabelecida.

Decisão ocorre com Copom desfalcado

A decisão foi tomada em um contexto de composição incompleta do Comitê. No final de 2025, chegaram ao fim os mandatos de dois diretores do Banco Central: Renato Gomes, responsável pela Organização do Sistema Financeiro, e Paulo Pichetti, diretor de Política Econômica.

As indicações dos substitutos pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva estão previstas para ocorrer apenas após o retorno do Congresso Nacional, em fevereiro.

Após atingir 10,5% ao ano em maio do ano passado, a Selic voltou a subir a partir de setembro de 2024. O ciclo de alta levou a taxa a 15% ao ano na reunião de junho, patamar que vem sendo mantido desde então.

A Selic é o principal instrumento utilizado pelo Banco Central para controlar a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Em 2025, o IPCA fechou em 4,26%, o menor resultado anual desde 2018, ficando dentro do teto da meta contínua de inflação.

Pelo modelo vigente desde janeiro, a meta central é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, o que estabelece um intervalo entre 1,5% e 4,5%.

Com o novo sistema de meta contínua, a inflação passa a ser avaliada mensalmente com base no acumulado de 12 meses. Assim, a verificação da convergência à meta ocorre de forma contínua, e não mais restrita ao fechamento de cada ano-calendário.

Projeções para 2026 divergem

No último Relatório de Política Monetária, divulgado no fim de dezembro, o Banco Central reduziu a projeção do IPCA para 3,5% em 2026, embora a estimativa possa ser revista devido ao comportamento recente do dólar e dos preços.

Já o mercado financeiro apresenta uma visão mais cautelosa. Segundo o boletim Focus, a inflação deve encerrar 2026 em 4%, ligeiramente acima do centro da meta. Há um mês, a projeção era de 4,05%.

Juros elevados encarecem o crédito

A manutenção da Selic em níveis elevados contribui para o controle da inflação ao encarecer o crédito e reduzir o consumo, mas também impõe desafios ao crescimento econômico.

No mesmo Relatório de Política Monetária, o Banco Central revisou a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 1,5% para 1,6% em 2026. O mercado, no entanto, estima uma expansão um pouco maior, de 1,8%, conforme o boletim Focus.

A taxa Selic serve como referência para as demais taxas de juros da economia e é utilizada nas operações com títulos públicos no Sistema Especial de Liquidação e Custódia. Ajustes na taxa influenciam diretamente o ritmo da atividade econômica, o consumo e a inflação.

Fonte: Agência Brasil

TEXTO: REDAÇÃO

IMAGEM: REPRODUÇÃO AGÊNCIA BRASIL / RAFA NEDDERMEYER

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Comércio

Focus reduz projeção do IPCA 2026 para 4,00% e mantém inflação abaixo do teto da meta

A mediana das projeções do Relatório Focus para o IPCA de 2026 foi ajustada para baixo, passando de 4,02% para 4,00%, segundo dados divulgados nesta segunda-feira pelo Banco Central. O patamar está 0,50 ponto percentual abaixo do teto da meta de inflação, fixado em 4,50%. Há quatro semanas, a estimativa era ligeiramente maior, em 4,05%.

Ao considerar apenas as estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, o indicador mostrou recuo adicional, de 4,02% para 3,99%, com base em 113 projeções recentes.

Projeções de inflação para 2027 seguem estáveis
Para 2027, o mercado manteve a expectativa de IPCA em 3,80%, resultado que se repete pela 12ª semana consecutiva. A estabilidade também aparece quando são analisadas apenas as 106 projeções revisadas no período mais recente.

Resultado do IPCA 2025 e cenário do Banco Central
O IPCA acumulado de 2025 fechou em 4,26%, conforme dados do IBGE. De acordo com o comunicado da reunião de dezembro do Copom, o Banco Central projeta inflação de 3,5% ao fim de 2026 e espera que o índice em 12 meses atinja 3,2% no horizonte relevante, atualmente situado no segundo trimestre de 2027.

Meta de inflação contínua e compromisso com a convergência
Desde 2025, a meta de inflação passou a ser contínua, considerando o IPCA acumulado em 12 meses. O centro da meta é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Caso a inflação permaneça fora desse intervalo por seis meses seguidos, o BC é considerado fora do alvo, situação registrada após a divulgação do IPCA de junho.

Em novembro, no entanto, a inflação acumulada em 12 meses recuou para 4,46%, voltando a ficar abaixo do teto. No último Relatório de Política Monetária, o Banco Central reforçou o compromisso com a convergência ao centro da meta. “O reenquadramento da inflação dentro dos limites estabelecidos para a faixa de tolerância é uma etapa natural do processo de convergência à meta”, destacou a autoridade monetária.

Expectativas para 2028 e 2029 permanecem inalteradas
As projeções do Focus para o IPCA de 2028 seguem em 3,50%, pela 12ª semana consecutiva. Para 2029, a estimativa também permanece em 3,50%, mantendo-se estável há 21 semanas.

FONTE: Istoé Dinheiro
TEXTO: Redação
IMAGEM: FERNANDA FELTES/Jornal do Comércio

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Notícias

Ataque dos EUA e captura de Maduro intensificam crise e ampliam riscos à economia global

Ataque de hoje eleva tensões e repercute nos mercados.

Neste sábado (3 de janeiro), os Estados Unidos realizaram um ataque militar de larga escala contra a Venezuela e anunciaram a captura do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, conforme divulgado pelo governo americano em redes sociais e coletivas de imprensa. A ação, que incluiu explosões e operações em Caracas, marca uma escalada sem precedentes nas relações entre os dois países e voltou a acender o alerta nos mercados globais sobre os impactos econômicos de conflitos geopolíticos. A captura de Maduro em meio ao ataque representaria um ponto de inflexão nos desdobramentos internacionais, com reflexos sobre o Brasil e outras economias emergentes.

Petróleo e geopolítica: preço sob pressão

A Venezuela possui as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo, apesar de limitações de produção causadas por sanções e falta de investimentos. A confirmação de um ataque e a captura de seu líder podem alimentar o receio de interrupções adicionais na oferta global de petróleo, pressionando ainda mais os preços da commodity.

O aumento dos valores do petróleo impacta diretamente o custo de combustíveis, energia e transporte, contribuindo para a alta dos preços de bens e serviços e ampliando a inflação global.

Mercados financeiros sob risco

A intensificação do conflito geopolítico, especialmente após o anúncio de hoje, tem reflexos imediatos nos mercados financeiros. Em momentos de incertezas como este, investidores tendem a migrar para ativos considerados mais seguros — como o dólar e títulos do Tesouro dos EUA — causando:

  • Valorização do dólar frente a moedas de mercados emergentes;
  • Aumento da volatilidade nas bolsas de valores;
  • Elevação do custo do crédito internacional.

Para a economia brasileira, um cenário desses pressiona o câmbio, encarece importações e pode restringir o acesso a capital estrangeiro.

Repercussões para o Brasil

Comércio exterior: oportunidades e desafios

No campo do comércio exterior, efeitos contraditórios devem se manifestar. A valorização do dólar pode favorecer exportadores de commodities brasileiros, como soja, milho, carnes e minério de ferro, melhorando a competitividade internacional.

Por outro lado, insumos, máquinas e componentes importados ficam mais caros, aumentando os custos de produção. Fretes, seguros e operações financeiras também tendem a subir de preço em um ambiente de maior risco geopolítico.

Indústria sob pressão de custos

A indústria brasileira é sensível às variações nos preços de energia e câmbio. Setores como automotivo, químico, farmacêutico, eletroeletrônico e de máquinas dependem de insumos importados e de energia, cujo custo tende a subir em meio à alta do petróleo e do dólar após o ataque de hoje.

O encarecimento do diesel e de outras fontes de energia também pressiona os custos logísticos, comprimindo margens e podendo refletir em aumento de preços ao consumidor.

Agronegócio: competividade externa vs. custo interno

No agronegócio, o fortalecimento do dólar pode ampliar a receita em reais para produtores exportadores de grãos, carnes e açúcar, melhorando a posição do Brasil no mercado internacional.

Entretanto, o setor enfrenta custos mais altos de fertilizantes, defensivos agrícolas, combustíveis e máquinas, que também são influenciados pela dinâmica cambial e pela pressão sobre o preço do petróleo. Isso reduz a margem de lucro dos produtores, especialmente os de menor porte, e pode refletir em preços maiores ao consumidor interno.

Risco de inflação e desafios macroeconômicos

A combinação de energia mais cara, dólar valorizado e custos de produção elevados, reforçada pelo ataque e sua repercussão, cria um ambiente favorável à aceleração da inflação no Brasil. Caso essa dinâmica persista, o Banco Central pode ser pressionado a adotar políticas monetárias mais restritivas, com impactos sobre crédito, consumo e crescimento econômico.

Cenário futuro incerto

Especialistas apontam que, se o conflito entre os EUA e a Venezuela se mantiver limitado após o episódio de hoje, os efeitos econômicos podem ser temporários. No entanto, uma escalada prolongada ou novos episódios de violência podem resultar em volatilidade mais persistente, inflação elevada e menor crescimento econômico global.

Fonte: atualizações de agências internacionais e declarações oficiais sobre o ataque e captura anunciados hoje.
Texto: Redação

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Economia

Bancos reforçam expectativa de queda dos juros em março, aponta pesquisa da Febraban

As instituições financeiras reforçaram a expectativa de que o Banco Central inicie o ciclo de queda dos juros em março, segundo a mais recente Pesquisa de Economia Bancária e Expectativas, divulgada pela Febraban nesta quinta-feira (1º). O movimento ganhou força após o tom mais duro adotado pela autoridade monetária na última reunião de 2025.

O levantamento mostra que aumentou o número de bancos que enxergam março como o ponto de partida para a redução da taxa Selic, hoje em 15% ao ano, o maior patamar desde 2006.

Diminui aposta em corte já em janeiro

Enquanto cresce a expectativa por um início de flexibilização em março, caiu a parcela de instituições que esperavam um corte já em janeiro. O percentual recuou de 45,5% para 30%, indicando maior cautela do mercado quanto ao ritmo de afrouxamento monetário.

A pesquisa ouviu 20 bancos entre os dias 17 e 19 de dezembro.

Projeções indicam juros mais baixos até o fim do ano

Apesar da postura cautelosa, o mercado segue projetando redução relevante da Selic ao longo de 2026. Segundo o Boletim Focus, a taxa básica deve encerrar o ano em 12,25%.

De acordo com Rubens Sardenberg, diretor de Economia, Regulação Prudencial e Riscos da Febraban, o debate agora gira em torno da velocidade desse movimento.
“Por ora, as expectativas seguem conservadoras e apontam para um ritmo moderado de cortes, mesmo com a Selic em nível elevado”, avaliou.

Inflação segue acima da meta, mas com viés de desaceleração

Em relação à inflação, 50% dos participantes acreditam que o índice em 2026 ficará alinhado ao consenso do mercado, ainda acima da meta oficial, pressionado por estímulos fiscais e expansão do crédito.

Por outro lado, 35% dos analistas projetam inflação abaixo do consenso, indicando uma possível continuidade do processo de desaceleração. O Banco Central trabalha com meta de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

Atividade econômica mostra sinais de melhora

O levantamento também apontou melhora nas expectativas para o crescimento econômico em 2026. A fatia de analistas que projetam avanço de 1,8% do PIB subiu de 36,4% para 55%.

Ao mesmo tempo, diminuiu de 45,5% para 30% o grupo que esperava crescimento abaixo do consenso do mercado, indicando maior otimismo com a atividade econômica.

Crédito desacelera, mas segue em patamar elevado

A maioria dos bancos projeta que a carteira de crédito encerrará 2025 com crescimento de 9,2%, desacelerando gradualmente para 8,2% em 2026. Mesmo assim, o ritmo segue elevado, sustentado principalmente pelo crédito direcionado.

A projeção anterior apontava alta de 8,9% em 2025, mas foi revisada para cima com o avanço do crédito direcionado, que passou de 10,1% para 10,9%. O principal motor segue sendo o crédito para pessoas jurídicas, cuja expansão estimada subiu de 13,6% para 15,3%, impulsionada por programas governamentais.

No segmento das famílias, a expectativa de crescimento também avançou, de 8,4% para 8,7%, refletindo a resiliência do crédito habitacional, apesar da perda de fôlego no crédito rural.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Adriano Machado

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